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Quando o bem-aventurado Francisco ia por um certa província, veio
ao seu encontro o abade de um mosteiro, que tinha muita veneração por
ele. O abade desceu do cavalo e falou com ele sobre a salvação de
sua alma, aí por uma hora. Quando quiseram separar-se, o abade
pediu ao bem-aventurado Francisco, com toda devoção, que rogasse
ao Senhor por sua alma. Respondeu-lhe o bem-aventurado Francisco:
“Vou faze-lo de boa vontade”.
E quando o abade se havia afastado um pouco do bem-aventurado
Francisco, disse o bem-aventurado Francisco a seu companheiro:
Irmãos, esperemos um pouco porque quero rezar pelo abade, como
prometi”. E orou por ele. Porque era costume do bem-aventurado
Francisco, quando alguém lhe pedia por devoção que orasse ao
Senhor por sua alma, derramava a oração por ele logo que podia,
para não se esquecer depois. E andando o abade por seu caminho, não
muito longe do bem-aventurado Francisco, o Senhor visitou-o de
repente em seu coração, sentiu um certo calor suave ao redor de seu
rosto, sendo elevado no excelso da mente, mas por um pouquinho de
tempo.
Quando voltou a si, logo soube que o bem-aventurado Francisco tinha
rezado por ele. E começou a louvar a Deus e a ter por isso uma
alegria interior e exterior. A partir daí teve uma devoção maior
pelo santo pai, considerando a grandeza de sua santidade, e teve
consigo mesmo esse fato, enquanto viveu, como um grande milagre, e o
contou muitas vezes aos irmãos e aos outros como lhe tinha acontecido.
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