CAPÍTULO 76

Quando o bem-aventurado Francisco ia por um certa província, veio ao seu encontro o abade de um mosteiro, que tinha muita veneração por ele. O abade desceu do cavalo e falou com ele sobre a salvação de sua alma, aí por uma hora. Quando quiseram separar-se, o abade pediu ao bem-aventurado Francisco, com toda devoção, que rogasse ao Senhor por sua alma. Respondeu-lhe o bem-aventurado Francisco: “Vou faze-lo de boa vontade”.

E quando o abade se havia afastado um pouco do bem-aventurado Francisco, disse o bem-aventurado Francisco a seu companheiro: Irmãos, esperemos um pouco porque quero rezar pelo abade, como prometi”. E orou por ele. Porque era costume do bem-aventurado Francisco, quando alguém lhe pedia por devoção que orasse ao Senhor por sua alma, derramava a oração por ele logo que podia, para não se esquecer depois. E andando o abade por seu caminho, não muito longe do bem-aventurado Francisco, o Senhor visitou-o de repente em seu coração, sentiu um certo calor suave ao redor de seu rosto, sendo elevado no excelso da mente, mas por um pouquinho de tempo.

Quando voltou a si, logo soube que o bem-aventurado Francisco tinha rezado por ele. E começou a louvar a Deus e a ter por isso uma alegria interior e exterior. A partir daí teve uma devoção maior pelo santo pai, considerando a grandeza de sua santidade, e teve consigo mesmo esse fato, enquanto viveu, como um grande milagre, e o contou muitas vezes aos irmãos e aos outros como lhe tinha acontecido.