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Como o bem-aventurado Francisco teve durante muito tempo doenças do
fígado, do baço e do estômago, e as teve até o dia de sua morte,
e desde o tempo em que esteve no ultramar para pregar ao sultão da
Babilônia e do Egito, teve a maior doença dos olhos por causa do
muito trabalho e do cansaço da viagem, pois indo e voltando suportou o
maior calor, mas nem por isso quis ter o cuidado de se fazer curar de
alguma dessas enfermidades, ainda que, por seus frades e por muitos,
com pena e compaixão dele, tivesse sido rogado a isso, pelo fervoroso
espírito que teve desde o início de sua conversão para Cristo:
porque, por causa da grande doçura e compaixão que colhia da
humildade e dos vestígios do Filho de Deus, tomava e tinha como doce
o que era amargo para a carne. Até mais: condoia-se tanto, todos
os dias, das dores e amarguras de Cristo, que ele tolerou por nós,
e por causa delas afligia-se tanto interior como exteriormente, que
nem se importava com as suas próprias.
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