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Nesse mesmo tempo, quando jazia doente, tendo já pregado e composto
os Louvores, o que então era bispo da cidade de Assis, excomungou o
prefeito da cidade. Pois, indignado contra ele, o que era prefeito
fez forte e curiosamente preconizar pela cidade de Assis que ninguém
vendesse ou comprasse alguma coisa dele, ou fizesse algum contrato; e
por isso eles se odiavam muito um ao outro.
O bem-aventurado Francisco, como estava tão doente. Ficou com
pena deles, principalmente porque nenhum religioso ou secular se
intrometia para cuidar de sua paz e concórdia. E disse a seus
companheiros: “É uma grande vergonha para vós, servos de Deus,
que o bispo e o prefeito se odeiem desse jeito e nenhuma pessoa entre no
meio para cuidar de sua paz e concórdia”. E sim fez um verso nas
seus Louvores para aquela ocasião, este: Louvado sejas, meu
Senhor, pelos que perdiam pelo teu amor e suportam enfermidade e
tribulação; bem-aventurados os que as suportarem em paz, porque por
ti, Altíssimo, serão coroados”.
Depois chamou um de seus companheiros, dizendo-lhe: “Vá dizer de
minha parte ao prefeito que ele com os magnatas da cidade e outros, que
pode levar consigo, venha ao palácio do bispo”. E quando ele foi
disse a outros dois companheiros seus: “Ide também diante do bispo,
do prefeito e dos outros que estão com eles e cantai o Cântico de
Frei Sol. E confio no Senhor que há de humilhar os corações
deles, vão fazer as pazes entre eles e voltaram à antiga amizade e
bem-querer”. E quando todos se reuniram na praça do claustro da
casa do bispo, levantaram-se aqueles dois frades e um disse: “O
bem-aventurado Francisco compôs em sua doença os Louvores do
Senhor por suas criaturas, para louvor dele e edificação do
próximo. Por isso ele vos roga que as ouçais com grande
devoção”.
E então começaram a cantar e a dizer-lhes. E imediatamente o
prefeito levantou-se, juntou os braços e as mãos com grande
devoção, como se fosse o Evangelho do Senhor, e também com
lágrimas, ouviu atentamente. Pois tinha muita confiança e devoção
pelo bem-aventurado Francisco. Quando acabaram os Louvores do
Senhor, o prefeito disse diante de todos: “Na verdade eu vos digo
que perdôo não só ao senhor bispo, que preciso ter como meu senhor,
mas perdoaria mesmo quem matasse meu irmão ou filho”. E assim se
lançou aos pés do senhor bispo, dizendo-lhe: “Eis que estou
pronto a satisfazer-vos em tudo, como vos aprouver por amor de nosso
Senhor Jesus Cristo e de seu servo bem-aventurado Francisco”.
O bispo, tomando-o pelas mãos, levantou-o e lhe disse: “Por meu
ofício convinha que eu fosse humilde, mas como sou notavelmente
inclinado à ira, é preciso que me perdoes”. E assim com muita
bondade e afeição se abraçaram e beijaram”. E os frades ficaram
muito admirados, considerando a santidade do bem-aventurado Francisco
porque aconteceu à letra o que o bem-aventurado Francisco tinha
predito sobre a paz e a concórdia deles.
E todos os outros, que lá estavam presentes e que ouviram, tiveram o
fato como um grande milagre, atribuindo-o aos méritos do
bem-aventurado Francisco, porque o senhor visitou-os tão depressa
que, sem lembrar nenhuma palavra, voltaram de tamanho escândalo para
tanta concórdia. Por isso nós que estivemos com o bem-aventurado
Francisco damos testemunho de que predizia: “Alguma coisa é assim,
ou vai ser”, acontecia quase à letra. E nós vimos com nossos
olhos, mas seria longo escrever e contar todas essas coisas.
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