|
Semelhantemente, naqueles dias e no mesmo lugar, depois que o
bem-aventurado Francisco compôs os Louvores do Senhor pelas
criaturas, também fez algumas palavras com canto para maior
consolação das senhoras pobres do mosteiro de São Damião,
principalmente porque sabia que elas estavam muito atribuladas por sua
enfermidade.
E como não podia consola-las e visitá-las pessoalmente por sua
doença, quis que aquelas palavras fossem anunciadas por seus
companheiros. Nessas palavras, então e sempre, quis deixar para
elas, com clareza e brevidade, a sua vontade: como deveriam ser
unânimes na caridade e comportar-se umas com as outras, porque por
seu exemplo e pregação foram convertidas a Cristo, quando os frades
ainda eram poucos.
A conversão e o comportamento delas é exaltação e edificação não
só para a Religião dos frades, da qual é uma plantinha, mas
também para toda a Igreja de Deus. Então, como o bem-aventurado
Francisco sabia que, desde o começo de sua conversão, elas tinham
levado e levavam ainda vida dura e pobrezinha e, por vontade e
necessidade, seu espírito sempre se movia de piedade para com elas.
Por isso, nessas mesmas palavras rogou-as que, como o Senhor
tinha-as reunido de muitas partes para a santa caridade, a santa
pobreza e a santa obediência, nelas deviam assim viver sempre e
morrer. E especialmente que deviam prover seus corpos com as esmolas
que Deus lhes desse, com alegria, ação de graças e discrição.
E mais do que tudo que as sãs, no trabalho que mantinham por suas
irmãs doentes, e as enfermas fossem pacientes em suas doenças e nas
necessidades que padeciam.
|
|