CAPÍTULO 85

Semelhantemente, naqueles dias e no mesmo lugar, depois que o bem-aventurado Francisco compôs os Louvores do Senhor pelas criaturas, também fez algumas palavras com canto para maior consolação das senhoras pobres do mosteiro de São Damião, principalmente porque sabia que elas estavam muito atribuladas por sua enfermidade.

E como não podia consola-las e visitá-las pessoalmente por sua doença, quis que aquelas palavras fossem anunciadas por seus companheiros. Nessas palavras, então e sempre, quis deixar para elas, com clareza e brevidade, a sua vontade: como deveriam ser unânimes na caridade e comportar-se umas com as outras, porque por seu exemplo e pregação foram convertidas a Cristo, quando os frades ainda eram poucos.

A conversão e o comportamento delas é exaltação e edificação não só para a Religião dos frades, da qual é uma plantinha, mas também para toda a Igreja de Deus. Então, como o bem-aventurado Francisco sabia que, desde o começo de sua conversão, elas tinham levado e levavam ainda vida dura e pobrezinha e, por vontade e necessidade, seu espírito sempre se movia de piedade para com elas.

Por isso, nessas mesmas palavras rogou-as que, como o Senhor tinha-as reunido de muitas partes para a santa caridade, a santa pobreza e a santa obediência, nelas deviam assim viver sempre e morrer. E especialmente que deviam prover seus corpos com as esmolas que Deus lhes desse, com alegria, ação de graças e discrição. E mais do que tudo que as sãs, no trabalho que mantinham por suas irmãs doentes, e as enfermas fossem pacientes em suas doenças e nas necessidades que padeciam.