CAPÍTULO 87

Outra vez, quando vez uma quaresma no Monte Alverne, um dia, quando o seu companheiro, na hora de comer, acendeu fogo na cela onde ele comia, deixou o fogo aceso e foi para junto do bem-aventurado Francisco na cela onde rezava e dormia, de acordo com o costume, para ler para si mesmo o santo Evangelho que se dizia na missa daquele dia; porque o bem-aventurado Francisco, quando não podia ir à Missa, sempre queria ouvir o Evangelho daquele dia antes de comer.

Quando o bem-aventurado Francisco veio comer na cela onde estava aceso o fogo, a chama do fogo já tinha subido até o alto da cela e ela estava queimando. Seu companheiro começou a apagar o fogo, como podia, mas sozinho não conseguia. E o bem-aventurado Francisco não quis ajudá-lo; pegou uma pele com que se cobria de noite e foi para o bosque. Os frades do lugar, embora permanecessem longe da cela, porque a cela ficava afastada do lugar dos frades, quando perceberam que a cela ardia, foram e apagaram o fogo. Depois o bem-aventurado Francisco voltou para comer. Depois da refeição, disse a seu companheiro: “Não quero mais me cobrir com esta pele porque por avareza não quis que o irmão fogo a comesse”.