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Outra vez, quando vez uma quaresma no Monte Alverne, um dia,
quando o seu companheiro, na hora de comer, acendeu fogo na cela onde
ele comia, deixou o fogo aceso e foi para junto do bem-aventurado
Francisco na cela onde rezava e dormia, de acordo com o costume, para
ler para si mesmo o santo Evangelho que se dizia na missa daquele dia;
porque o bem-aventurado Francisco, quando não podia ir à Missa,
sempre queria ouvir o Evangelho daquele dia antes de comer.
Quando o bem-aventurado Francisco veio comer na cela onde estava
aceso o fogo, a chama do fogo já tinha subido até o alto da cela e
ela estava queimando. Seu companheiro começou a apagar o fogo, como
podia, mas sozinho não conseguia. E o bem-aventurado Francisco
não quis ajudá-lo; pegou uma pele com que se cobria de noite e foi
para o bosque. Os frades do lugar, embora permanecessem longe da
cela, porque a cela ficava afastada do lugar dos frades, quando
perceberam que a cela ardia, foram e apagaram o fogo. Depois o
bem-aventurado Francisco voltou para comer. Depois da refeição,
disse a seu companheiro: “Não quero mais me cobrir com esta pele
porque por avareza não quis que o irmão fogo a comesse”.
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