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Também, quando lavava as mãos, escolhia um lugar em que aquela
água usada não fosse pisada pelos pés. Quando precisava andar sobre
pedras, fazia-o com temor e reverência, por amor daquele que é
chamado de Pedra. Por isso, quando dizia aquele versículo do Salmo
onde se lê: Exaltaste-te sobre a pedra (cfr. Sl 60,3),
por grande reverência e devoção dizia: “Exaltaste-me sob os pés
da Pedra”.
Também dizia para o frade que cortava lenha para o fogo que não
cortasse a árvore inteira, mas que as cortasse de tal modo que uma
parte fosse cortada e outra ficasse. Também deu essa ordem a um frade
do lugar onde ele morava. Também dizia ao frade que cuidava da horta
que não cultivasse toda a terra da horta só para ervas comestíveis,
mas deixasse uma parte de terra para produzir ervas viçosas que, a seu
tempo, produzissem flores para os frades. Dizia até que o irmão
hortelão devia fazer um bonito canteiro, em algum canto da horta,
pondo e plantando aí de todas as plantas odoríferas e todas as plantas
que produzem flores bonitas, para que, a seu tempo, convidassem os
que as viam ao louvor de Deus, porque toda criatura diz e clama:
“Deus me fez por tua causa, ó homem”.
Por isso nós que estivemos com ele costumávamos vê-lo sempre
alegre, interior e exteriormente, com quase todas as criaturas,
tocando-as e olhando-as com prazer, que seu espírito não parecia
estar na terra mas no céu. E isso é manifesto e verdadeiro, porque
por causa das muitas consolações que teve e tinha por causa das
criaturas de Deus, um pouco antes de sua morte compôs e fez uns
Louvores do Senhor por suas criaturas, para animar os corações dos
ouvintes para o louvor de deus e para que o Senhor fosse louvado por
todos em suas criaturas.
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