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Daí que em certo tempo, quando ia pregando por certa província,
aconteceu que dois frades franceses se encontrassem com ele e receberam
dele a maior consolação. Mas no fim pediram sua túnica, “por amor
de deus”, por devoção. Ele, assim que ouviu falar em amor de
Deus, despiu a túnica, ficando despido por cerca de uma hora.
Porque ra costume do bem-aventurado Francisco, quando alguém
dizia: “Dá-me a túnica ou o cordão por amor de Deus”, ou outra
coisa que tivesse, dava na mesma hora, por reverência àquele
Senhor, que é chamado de Amor. Até ficava muito aborrecido e
repreendia os frades quando os ouvia falar no amor de Deus por qualquer
coisa. Pois dizia: “Tão altíssimo é o amor de Deus, que
raramente e só em grande necessidade deveria ser nomeado com muita
reverência”.
Mas um deles despiu sua túnica e lha deu. Pois muitas vezes ele
sofria muita necessidade e tribulação por causa disso, quando dava
sua túnica ou uma parte dela a alguém, porque não podia encontrar ou
mandar fazer outra tão depressa. Principalmente porque queria sempre
usar e ter uma túnica pobrezinha, de retalhos, e algumas vezes queria
que fosse remendada por dentro e por fora. Porque raramente ou nunca
queria ter ou usar uma túnica de pano novo, mas adquiria de algum
frade a sua túnica, que tinha usado por muitos dias, e também às
vezes recebia de um frade uma parte da túnica e, de outro, outra.
Mas às vezes remendava-a por dentro com pano novo por causa de suas
muitas doenças e friezas. E manteve e observou esse modo de pobreza
em suas roupas até o ano em que migrou para o Senhor. Pois poucos
dias antes de sua morte, porque era hidrópico q quase todo ressecado,
e por causa de muitas outras doenças que tinha, os frades fizeram-lhe
diversas túnicas, para poderem trocá-las de dia e de noite, quando
fosse necessário.
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