CAPÍTULO 91

Outra vez, um pobrezinho veio com roupas muito pobres a um eremitério dos frades, e pediu por amor de Deus aos frades uma peça pobrezinha. O bem-aventurado Francisco disse a um irmão que procurasse pela casa para ver se achava algum pano ou pedaço para lhe dar. Rodando pela casa, o frade disse que não achou. Mas para que o pobre não voltasse sem nada, o bem-aventurado Francisco foi ocultamente, para que seu guardião não lhe proibisse, pegou uma faca e, sentando-se num lugar escondido, começou a cortar um pedaço de sua túnica, que estava costurado pelo lado de dentro, querendo dá-lo secretamente ao pobre.

Mas o guardião logo percebeu o que ele queria fazer, foi ao seu encontro e proibiu que desse, principalmente porque então estava fazendo muito frio e ele estava doente e muito resfriado. mas o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Se não queres que lhe dê, é preciso absolutamente que se faz dar algum retalho ao pobre”. Então aqueles frades deram um pano de suas roupas, em nome do bem-aventurado Francisco.

Quando os frades lhe arranjavam uma capa, tanto quando ia pelo mundo pregando, a pé ou montado num burrico, porque depois que começou a ficar doente não conseguia ir a pé e por isso precisava, às vezes, montar num burrico, porque a cavalo só queria montar quando houvesse uma necessidade estrita e maior, e isso pouco antes de sua morte, quando começou a ficar muito doente - ou estivesse em algum lugar, não queria recebe-la senão daquele jeito, isto é, que se encontrasse com um pobrezinho ou este fosse procura-lo, pudesse dá-la se lhe fosse manifestamente necessária e se o espírito lhe desse testemunho a respeito.