CAPÍTULO 93

Em outra ocasião, quando permaneciam junto à igreja de Santa Maria da Porciúncula, uma mulher, velhinha e pobrezinha, que tinha dois filhos na Religião dos frades, foi àquele lugar pedindo alguma esmola ao bem-aventurado Francisco, principalmente porque naquele ano não tinha do que poder viver. O bem-aventurado Francisco disse a Frei Pedro Cattani, que era então ministro geral: “Será que nós temos alguma coisa para dar à nossa mãe?”. Porque dizia que era mãe sua e de todos os frades da religião a que fosse mãe de algum frade. Frei Pedro respondeu-lhe: “Na casa não temos nada que possamos dar-lhe, principalmente porque ela quer uma esmola que possa ser suficiente para o que é necessário ao seu corpo. Na igreja só temos um Novo Testamento, em que lemos as leituras de matinas”.

Pois naquele tempo os frades não tinham breviários nem muitos saltérios. Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Dá a nossa mãe o Novo Testamento, para que o venda para a sua necessidade; creio firmemente que vai agradar mais a Deus e à bem-aventurada Virgem que se nele lesses”. E assim o deu a ela. Pois o bem-aventurado Francisco pode dizer-se o que foi dito do bem-aventurado Jó: Minha comiseração saiu e cresceu comigo desde o útero de minha mãe (cfr. Jó 31,18). Por isso, para nós que estivemos com ele, seria muito longo escrever e contar não só o que ouvimos de outros a respeito de sua caridade e piedade para com os pobres, mas também o que vimos com nossos olhos.