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Em outra ocasião, quando permaneciam junto à igreja de Santa Maria
da Porciúncula, uma mulher, velhinha e pobrezinha, que tinha dois
filhos na Religião dos frades, foi àquele lugar pedindo alguma
esmola ao bem-aventurado Francisco, principalmente porque naquele ano
não tinha do que poder viver. O bem-aventurado Francisco disse a
Frei Pedro Cattani, que era então ministro geral: “Será que
nós temos alguma coisa para dar à nossa mãe?”. Porque dizia que
era mãe sua e de todos os frades da religião a que fosse mãe de algum
frade. Frei Pedro respondeu-lhe: “Na casa não temos nada que
possamos dar-lhe, principalmente porque ela quer uma esmola que possa
ser suficiente para o que é necessário ao seu corpo. Na igreja só
temos um Novo Testamento, em que lemos as leituras de matinas”.
Pois naquele tempo os frades não tinham breviários nem muitos
saltérios. Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Dá a nossa
mãe o Novo Testamento, para que o venda para a sua necessidade;
creio firmemente que vai agradar mais a Deus e à bem-aventurada
Virgem que se nele lesses”. E assim o deu a ela. Pois o
bem-aventurado Francisco pode dizer-se o que foi dito do
bem-aventurado Jó: Minha comiseração saiu e cresceu comigo desde
o útero de minha mãe (cfr. Jó 31,18). Por isso, para nós
que estivemos com ele, seria muito longo escrever e contar não só o
que ouvimos de outros a respeito de sua caridade e piedade para com os
pobres, mas também o que vimos com nossos olhos.
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