CAPÍTULO 95

Nesses mesmos tempos, como o bem-aventurado Francisco estava doente da enfermidade dos olhos e por alguns dias permanecesse no palácio do bispo de Rieti, um clérigo da diocese de Rieti, chamado Gedeão, homem muito mundano, jazia doente havia muitos dias por uma enfermidade grande e com a maior dor dos rins. De tal modo que não podia se mexer nem se virar na cama sem ajuda, nem levantar-se ou andar a não ser carregado e, quando ia carregado, ia encurvado e quase dobrado por causa das dores dos rins: pois nem podia levantar-se um pouco.

Um dia fez-se levar até onde estava o bem-aventurado Francisco, lançou-se aos seus pés e pediu com muitas lágrimas que fizesse o sinal da cruz sobre ele. O bem-aventurado Francisco disse-lhe: “Como vou te fazer o sinal se vivestes outrora sempre segundo os desejos da carne, não levando em conta nem temendo os juízos de Deus? Mas vendo-o tão afligido pela grande doença e pelas dores, ficou com pena dele e lhe disse: “Eu te assinalo em nome do Senhor. Mas se aprouver ao Senhor libertar-te, toma cuidado para não voltar ao vômito, porque na verdade eu te digo que, se voltares ao vômito, virão coisas piores que as de antes e vais incorrer num juízo duríssimo, por causa de teus pecados e por ser ingrato e ignorar a bondade do Senhor”.

E quando o bem-aventurado Francisco fez o sinal da cruz sobre ele, ele se ergueu e se levantou, libertado interiormente na mesma hora. Quando se ergueu, os ossos de suas costas soaram como se alguém estivesse quebrando lenha seca. Mas como depois de alguns dias voltou ao vômito e não observou o que o Senhor lhe tinha dito por seu servo Francisco, aconteceu que um dia, quando foi jantar na casa de outro cônego, seu companheiro, e tivesse dormido lá nessa noite, caiu de repente o telhado da casa em cima de todos. Mas os outros escaparam da morte, só o coitado foi atingido e morto.