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61. O venerável pai, Cardeal João de São Paulo, que muitas
vezes dava conselho e proteção ao bem-aventurado Francisco,
recomendava a todos os outros cardeais a vida e os atos do santo e de
seus irmãos. E os seus ånimos eram movidos a amar o homem de Deus e
seus irmãos, a tal ponto que cada um desejava ter em sua cúria alguns
deles, não para serem servidos por eles, mas pela santidade que neles
admiravam e devoção que lhes tinham.
Morto o Senhor Cardeal João de São Paulo, Deus inspirou a um
dos cardeais, chamado Hugolino, naquele tempo bispo de Óstia, que
nutrisse pelo bem-aventurado Francisco e seus irmãos profundo amor e
lhe garantisse conselho e proteção. Na realidade tratou-os com
muito afeto, como se fosse o pai de todos. Mais ainda: seu afeto por
eles superava o amor carnal que une naturalmente pais e filhos. Era
uma afeição espiritual que o levava a amar e a amparar no Senhor o
homem de Deus e seus irmãos. Francisco conhecendo a fama desse
cardeal, que a todos os mais sobressaía, apresentou-se a ele com
seus irmãos. Este os recebeu com alegria e disse-lhes:
"Ofereço-vos meu conselho e auxílio, e estou pronto a dar-vos a
proteção conforme desejardes, e quero pelo amor de Deus que me
recomendeis em vossas orações".
Então o bem-aventurado Francisco, dando graças a Deus, disse ao
cardeal: "De muito boa vontade desejo, Senhor, ter-vos como pai e
protetor de nossa Ordem, e quero que todos os irmãos vos recomendem
em suas orações". Em seguida, pediu-lhe o bem-aventurado
Francisco que se dignasse estar presente no capítulo de Pentecostes.
Logo aceitou benignamente, e desde então esteve presente, todos os
anos, ao capítulo.
Quando comparecia ao capítulo, todos os irmãos reunidos saíam em
procissão ao seu encontro. E ao se aproximarem os irmãos, descia do
cavalo e caminhava a pé com eles até à igreja de Santa Maria.
Depois pregava-lhes o sermão e celebrava a missa, durante a qual o
homem de Deus, Francisco, cantava o Evangelho.
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