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71. Já resplandecia com novo brilho a fama dos milagres do homem de
Deus, em diversas regiões do mundo, e de toda parte acorriam ao seu
sagrado corpo os que pelos méritos do santo haviam experimentado
grandes e singulares benefícios do Senhor, quando o mencionado Papa
Gregório, por conselho dos cardeais e de muitíssimos outros
prelados, lidos e aprovados os milagres que o Senhor havia operado por
seu intermédio, inscreveu-o no catálogo dos santos, ordenando que
sua festa fosse celebrada no dia de sua morte.
Esta cerimônia aconteceu na cidade de Assis, na presença de muitos
prelados, de grande multidão de príncipes, barões e pessoas vindas
das diversas partes do mundo, que o Senhor Papa fizera convocar para
a solenidade, no ano do Senhor de 1228, segundo de seu
pontificado.
72. O próprio Sumo Pontífice honrou o santo a quem havia
sumamente amado em vida, não só canonizando-o, mas também com
doações e ornamentos preciosíssimos à igreja construída em sua
honra, em cujos alicerces o próprio Senhor Papa lançou a primeira
pedra. Dois anos após a canonização, o sacrossanto corpo foi
trasladado, com grande honra, do lugar onde antes havia sido sepultado
para esta igreja.
O papa enviou uma cruz de ouro, ornada com pedras preciosas, contendo
um fragmento do lenho da cruz do Senhor, como também ornamentos,
vasos e muitos objetos do ministério ou serviço do altar, muitas
alfaias solenes e preciosas.
Isentou igualmente esta igreja de qualquer jurisdição inferior,
constituindo-a, por sua autoridade apostólica, como cabeça e mãe
de toda a Ordem dos Frades Menores, como aparece evidente no
privilégio público confirmado em bula que todos os cardeais, de comum
acordo, subscreveram.
73. Pouco seria honrar o santo de Deus apenas com objetos
inanimados. Por isso o Senhor realizou inúmeras conversões e curas
através do santo que, embora morto em seu corpo, vivia em espírito
na glória. Tanto foi assim que pelos méritos de São Francisco
muitas pessoas indiferentes de ambos os sexos, grandes e nobres com
seus filhos, tomaram o hábito da Ordem após terem enviado aos
mosteiros das damas pobres suas esposas e filhas.
Da mesma forma muitos homens sábios e letrados, leigos e clérigos
prebendados, desprezando os atrativos da carne e a impiedade, e
renunciando radicalmente aos desejos deste século, entraram na Ordem
dos menores, conformando-se em tudo, segundo a medida da graça de
Deus, à pobreza e aos vestígios de Cristo e de seu servo, o
bem-aventurado Francisco.
A respeito de Francisco, que com toda certeza vive para sempre na
vida da glória, se pode, portanto, com toda a razão afirmar o que
se escreveu de Sansão: morrendo, matou muito mais do que matara
enquanto vivia. A essa glória nos conduza, pelos méritos de nosso
santíssimo Pai Francisco, aquele que vive e reina nos séculos dos
séculos.
AMÉM.
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