Capítulo 15. Sobre os falsos pobres.

38. “Levantaram-se, por fim, contra nós os que não eram dos nossos (cfr. 1Jo 2,19), uns certos filhos de Belial (cfr. Dt 13,13), falando bobagens, fazendo iniquidades, dizendo que eram pobres quando não eram (cfr. Ap 2,9; 3,9), e eu, que fui amada de todo coração pelos varões gloriosos de que falei, fui desprezada e desonrada pelos que seguiam o caminho de Balaão filho de Bosor, que amou o salário da iniquidade (cfr. 2Pd 2,15), homens corruptos na mente, privados da verdade, achando que a piedade é fonte de lucro (1Tm 6,5): homens que vestiram o hábito da santa religião, não vestiram o homem novo (cfr. Ef 4,24), mas recobriram o velho. Falavam mal dos seus mais antigos e mordiam, às escondidas, a vida e os costumes dos que foram os fundadores de uma santa forma de vida, chamando-os de indiscretos, sem misericórdia, cruéis (cfr. Jr 50,42), e a mim, que tinham assumido, chamavam de ociosa, dura, torpe, inculta, exangue e morta.

Isso era movimentado com o maior esforço pela minha inimiga, que, vestindo a roupa de ovelha, ocultava a raiva de lobo com a astúcia de uma raposa”.