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5. Aplicadamente, como um explorador curioso, ele começou a rondar
pelos becos e praças da cidade, procurando diligentemente a que era a
amada de sua alma. Interrogava os que estavam parados, perguntava aos
que chegavam, dizendo: “Será que não vistes aquela que minha alma
ama?” (cfr. Ct 3,3). Mas essa palavra era como um enigma para
eles (Lc 18,34), parecia estrangeiro. Como não o entendiam,
diziam: “Ó homem, não sabemos do que estás falando. Fala-nos em
nossa lingua e te responderemos”. Naquele dia, os filhos de Adão
não tinham voz nem sensibilidade para querer conversar sobre a
pobreza, ou mesmo mencioná-la. Odiavam-na veementemente, como
fazem até hoje, e sobre ela não podiam falar nada de pacífico ao que
perguntava; por isso responderam como a um estranho, afirmando que
não sabiam nada do que se estava perguntando.
6. O bem-aventurado Francisco disse: “Vou falar com os
importantes e os sábios. Pois eles conhecem o caminho do Senhor e o
juízo do seu Deus (Jr 5,5); estes talvez sejam pobres e
ignorantes. Desconhecendo o caminho do Senhor e o juízo do seu Deus
(Jr 5,4)”. Quando o fez, eles lhe responderam ainda mais
duramente, dizendo: “Que doutrina nova é essa que apresentas aos
nossos ouvidos? Pois que essa pobreza, que buscas, pertença sempre
a ti, aos teus filhos e à tua descendência depois de ti! Para nós
o que conta é gozar as delícias e ter muitas riquezas, porque o tempo
de nossa vida é curto e tedioso, e não há refrigério para o fim do
homem (cfr. Sb 2,1). Não conhecemos nada de melhor do que
alegrar-se, comer e beber enquando vivemos”.
7. O bem-aventurado Francisco, ouvindo essas coisas, ficava
admirado em seu íntimo e, dando graças a Deus, dizia: “Bendito
sejas tu, Senhor Deus (cfr. Lc 1,68), que escondeste estas
coisas dos sábios e prudentes e as revelaste aos pequeninos! Sim,
Pai, porque assim foi do teu agrado (Mt 11,25-26).
Senhor, Pai e dominador de minha vida, não me abandones ao conselho
deles, nem me deixes cair nessa reprovação, mas dá-me, por tua
graça, encontrar o que busco, porque sou teu servo e filho de tua
serva (cfr. Sl 115,16)”.
8. Então, saindo da cidade, o bem-aventurado Francisco foi com
passo rápido para um campo, em que, olhando de longe, viu dois
velhos sentados tomados se grande tristeza. Um deles dizia: “Para
quem vou olhar senão para o pobrezinho e contrito de coração, e para
o que teme as minhas palavras (Is 66,2)?”.
* E o outro dizia: “Nada trouxemos para este mundo; sem dúvida
também não podemos levar nada; tendo comida e com que nos cobrir,
ficamos contentes com isso (1Tm 6,7-8)”.
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