Capítulo 20. A Avareza arroga-se o nome de Discrição.

43. “Quando eles andavam em tão grande fervor de amor por Cristo, a Avareza arrogou-se o nome de Discrição e começou a dizer-lhes: “Não vos mostreis tão rígidos para as pessoas, nem desprezeis desse modo a honra deles, mas mostrai-vos afáveis para com eles e não rejeiteis exteriormente a honra que vos prestam, mas fazei isso interiormente, o máximo que puderdes. É bom ter a amizade dos reis, a familiaridade dos grandes, o reconhecimento dos príncipes, porque, quando eles assim vos honram e veneram, quando vêm ao vosso encontro e vos acolhem, é um exemplo para muitos, porque, vendo isso, convertem-se mais facilmente para Deus”.

44. Eles, vendo o proveito, receberam o conselho dado mas, como não se cuidaram do laço armado à beira do caminho, abraçaram, afinal, a glória e a honra, com todo o coração. No íntimo, eles achavam que eram como se dizia fora, e punham sua glória na boca dos aduladores, como as loucas diante dos vendedores (cfr. Mt 25,8) e o servo inútil na terra (cfr. Mt 25,30).

Mas as pessoas, que achavam que eles eram por dentro o que pareciam por fora, ofereciam-lhes suas coisas de boa vontade, para a remissão de seus pecados. No começo, tinham-nas eles todas como esterco (cfr. Fp 3,8), dizendo: Nós somos e queremos ser sempre pobres, não queremos vossas coisas más (cfr. 2Cor 12,14). Tendo alimento e com que nos cobrir, estamos contentes com isso (cfr. 1Tm 6,8), porque vaidade das vaidades, tudo é vaidade (Qo 1,2; 12,8)”. Por isso, a devoção das pessoas para com eles crescia cada dia, de modo que muitos deles amavam menos as suas coisas, que viam ser desprezadas dessa forma pelos santos”.