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43. “Quando eles andavam em tão grande fervor de amor por
Cristo, a Avareza arrogou-se o nome de Discrição e começou a
dizer-lhes: “Não vos mostreis tão rígidos para as pessoas, nem
desprezeis desse modo a honra deles, mas mostrai-vos afáveis para com
eles e não rejeiteis exteriormente a honra que vos prestam, mas fazei
isso interiormente, o máximo que puderdes. É bom ter a amizade dos
reis, a familiaridade dos grandes, o reconhecimento dos príncipes,
porque, quando eles assim vos honram e veneram, quando vêm ao vosso
encontro e vos acolhem, é um exemplo para muitos, porque, vendo
isso, convertem-se mais facilmente para Deus”.
44. Eles, vendo o proveito, receberam o conselho dado mas, como
não se cuidaram do laço armado à beira do caminho, abraçaram,
afinal, a glória e a honra, com todo o coração. No íntimo, eles
achavam que eram como se dizia fora, e punham sua glória na boca dos
aduladores, como as loucas diante dos vendedores (cfr. Mt 25,8)
e o servo inútil na terra (cfr. Mt 25,30).
Mas as pessoas, que achavam que eles eram por dentro o que pareciam
por fora, ofereciam-lhes suas coisas de boa vontade, para a remissão
de seus pecados. No começo, tinham-nas eles todas como esterco
(cfr. Fp 3,8), dizendo: Nós somos e queremos ser sempre
pobres, não queremos vossas coisas más (cfr. 2Cor 12,14).
Tendo alimento e com que nos cobrir, estamos contentes com isso
(cfr. 1Tm 6,8), porque vaidade das vaidades, tudo é vaidade
(Qo 1,2; 12,8)”. Por isso, a devoção das pessoas para
com eles crescia cada dia, de modo que muitos deles amavam menos as
suas coisas, que viam ser desprezadas dessa forma pelos santos”.
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