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47. “Depois disso, começaram a suspirar por tudo que tinham
deixado no Egito, suspirando miseravelmente e buscando vergonhosamente
o que tinham desprezado com um coração tão grande. Andavam tristes
pelo caminho dos mandamentos (cfr. Sl 118,32) de Deus,
acorrendo de coração seco para tudo que era mandado. Desfaleciam sob
o pêso e, pela deficiência da espiritualidade, mal podiam respirar.
Era raro ficarem compungidos, não tinha contrição nenhuma, a
obediência era cheia de murmurações, o pensamento animalesco, a
alegria dissoluta, pusilânime a tristeza, incauta a palavra, fácil
a risada; tinham hilaridade no rosto, vaidade no andar, roupas macias
e delicadas, de corte engenhoso, costura ainda mais engenhosa,
dormiam demais, comiam o supérfluo e não se dominavam na bebida.
Jogavam ao vento gracejos, anedotas e palavras. Contavam fábulas,
alteravam as leis, dispunham das províncias e tratavam diligentemente
das realizações humanas. O cuidado com os exercícios espirituais
era nenhum, nenhuma era a solicitude pela salvação das almas,
raramente conversavam sobre as coisas celestes e morno era o desejo da
eternidade.
48. Estavam tão endurecidos que começaram a invejar um ao outro,
a provocar-se a dominar um ao outro; cada irmão acusava ao outro dos
piores crimes (cfr. Gn 37,2). Evitavam os assuntos sérios,
buscando com que se alegrassem porque, na verdade, não o conseguiam.
Entretanto, mantendo uma aparência de santidade em tudo, para não
ficarem completamente desmoralizados e, falando de coisas santas,
escondiam aos simples o seu miserável comportamento. Mas era tão
grande a dissolução de seu homem interior que, não conseguindo
dominar-se, estouravam no exterior com indícios abertos”.
49. “No fim, começaram a adular os seculaes e a juntar-se com
eles para esvaziar suas bolsas, para ampliar os edifícios e para
multiplicar as coisas a que tinham renunciado absolutamente. Vendiam
palavras aos ricos, saudações às nobres matronas; frequentavam as
cortes dos reis e dos príncipes com toda diligência, para juntarem
casa com casa e unirem campo ao campo (cfr. Is 5,8). E agora
tornaram-se grandes e ricos, enraizados na terra, porque vão de mal
a pior e não reconheceram o Senhor (cfr. Jr 9,3). Caíram
quando se elevaram (cfr. Sl 72,18), deslizaram para o chão
antes de nascer, mas ainda me dizem: “Somos teus amigos”.
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