|
9. Quando chegou junto deles, o bem-aventurado Francisco lhes
disse: “Indicai-me, por favor, onde mora a senhora Pobreza, onde
apascenta, onde se deita ao meio-dia (cfr. Ct 1,6), porque
estou doente de amor por ela” (cfr. Ct 2,5). Mas eles
responderam dizendo: “Bom irmão, nós estamos sentados aqui por um
tempo, e dois tempos e metade de um tempo (cfr. Dn 7,25;
12,7; Ap 12,14), e a vimos passar freqüentemente, porque
muitos a buscavam. Às vezes, eram muitos os que a acompanhavam, mas
muitas vezes ela voltava sozinha e nua, sem nenhum enfeite de jóias
(cfr. Is 61,10), sem se distinguir por nenhum acompanhante,
sem vestir roupa alguma. Chorava muito amargamente, e dizia: Os
filhos de minha mãe lutaram contra mim (Ct 1,5)”. E nós lhe
dizíamos: “Tem paciência (cfr. Mt 18,26), que os retos te
amam (cfr. Ct 1,3)”.
10. E agora, irmão, ela subiu a uma montanha grande e alta onde
Deus a estabeleceu; porque Deus a ama mais do que a todas as tendas
de Jacó (cfr. Sl 86,1-2). Gigantes não puderam acompanhar
os vestígios de seus pés (cfr. Est 13,13), e águias não
voaram até o seu pescoço. A pobreza é algo singular, que todo
homem despreza, porque não se encontra na terra dos que vivem
acomodados (cfr. Jó 28,13); por isso ela se escondeu aos seus
olhos, esconde-se até das aves do céu (Jó 28,21); Deus
conhece o seu caminho, só Ele sabe onde é o seu lugar (Jó
28,23).
11. Por isso, irmão, se queres chegar até ela, despe as tuas
roupas de festa (cfr. Jdt 10,3) e deixa todo peso e pecado que
te cerca (cfr. Hb 12,1) porque, se não fores nu, não
poderás subir até ela, que se recolheu em tão grande altura. Mas,
como é benigna (cfr. 1Cor 13,4), é enxergada facilmente
pelos que a amam, e é encontrada pelos que a buscam (Sb 6,13).
Irmão, pensar nela é sabedoria consumada, e quem velar por causa
dela, logo vai estar seguro (Sb 6,16). Toma companheiros
fiéis, para usar seu conselho e apoiar-se em sua ajuda na subida da
montanha, porque ai do só! Se cair, não tem quem o levante; se um
cair, será apoiado pelo outro (Ecl 4,10)”.
|
|