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59. Quando estava tudo preparado, forçaram-na a comer com eles.
Mas ela disse: “Mostrai-me antes a capela, a sala do capítulo, o
claustro, o refeitório, a cozinha, o dormitório e o estábulo, as
cadeiras bonitas, as mesas bem lisas e as casas enormes. Pois não
estou vendo nada disso; só o que vejo sois vós, alegres e felizes,
transbordando de gozo, cheios de consolação (cfr. 2Cor 7,4),
como se esperásseis que é só desejar e vos darão tudo”.
Eles responderam: “Senhora e rainha nossa; nós, que somos teus
servos há tanto tempo (cfr. Js 9,9), estamos cansados do
caminho, e tu também, que vieste conosco, não trabalhaste pouco.
Então, vamos comer primeiro, se permites, e assim, confortados,
tudo será feito como mandares”.
60. Disse ela: “Gostei do que dissestes; então, tragam a água
para lavarmos as mãos e toalhas para as enxugarmos”. Trouxeram logo
meio vaso de barro cheio de água, porque não havia ali um inteiro.
Despejaram-na nas mãos dela, enquanto olhavam para cá e para lá,
buscando uma toalha. Como não a encontraram, um deles ofereceu-lha
a túnica que vestia para enxugar as mãos. Ela, recebendo-a
agradecida, louvava a Deus em seu coração, por tê-la unido a tais
homens.
61. Depois, levaram-na ao lugar em que a mesa estava preparada.
Chegando lá e não vendo mais do que três ou quatro pedaços de pão
de cevada ou farelo colocados na grama, ficou muito admirada, dizendo
consigo: Quem jamais viu essas coisas nos séculos que passaram
(cfr. Is 66,8; 51,9)? Bendito sejas, Senhor Deus
(cfr. 1Cr 29.10; Lc 1,68), que cuidas de tudo (cfr.
Sb 12,13); pois, quando queres, podes usar o poder (cfr. Sb
12,18); com essas obras, ensinaste o teu povo (cfr. Sb
12,19) a te agradar”.
Assim assentaram-se juntos, dando graças a Deus (cfr. Cl
3,17) por todos os seus dons.
62. A senhora Pobreza mandou trazer a comida cozida nas travessas.
Trouxeram uma travessa cheia de água fria, para que nela todos
molhassem o pão: ali não havia nem uma quantidade de travessas nem
variedade de cozidos.
Pediu pelo menos que servissem algumas ervas odoríferas cruas. Mas,
como não tinham hortelão nem sabiam de alguma horta, colheram ervas
silvestres no mato e puseram-nas na sua frente.
Ela disse: “Trazei-me um pouco de sal para salgar as ervas, porque
são amargas”.
Disseram: “Espera, senhora, que entremos na cidade para te
trazer, se houver alguém que nos dê”.
Ela disse: “Dai-me uma faca para tirar o supérfluo e cortar o
pão, porque está muito duro e seco”.
Responderam-lhe: “Senhora, nós não temos um ferreiro para nos
fazer espadas; corta agora com os dentes, em vez de uma faca, e
depois vamos tomar providências”.
“Tendes um pouquinho de vinho?”, perguntou. E
les responderam: “Senhora nossa, não temos vinho (cfr. Jo
2,3) porque o principal para a vida do homem é pão e água (cfr.
Eclo 29,28), e, para ti, não é bom tomar vinho, porque a
esposa de Cristo tem que fugir do vinho como de um veneno”.
63. Depois que ficaram satisfeitos, mais pela glória de tanta
privação do que ficariam pela abundância de todas as coisas,
bendisseram ao Senhor, diante do qual encontraram tanta graça, e
levaram-na para um lugar em que pudesse repousar, porque estava
cansada.
E assim jogou-se despida sobre a terra nua. Pediu também um
travesseiro para sua cabeça. Trouxeeram logo uma pedra e colocaram
embaixo.
Mas ela, depois de um sono bem repousado e sóbrio, levantou-se
apressada, pedindo que lhe mostrassem o claustro. Levaram-na para
uma colina e lhe mostraram todo o mundo que podiam ver, dizendo:
“Senhora, este é o nosso claustro”.
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