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64. Ela mandou que todos se sentassem juntos e lhes comunicou
palavras de vida (cfr. Jo 6,69), dizendo:
“Filhos, vós sois benditos pelo Senhor Deus, que fez o céu e a
terra (cfr. Jdt 13,23.24), que com tão grande plenitude de
caridade me recebestes em vossa casa, que hoje me pareceu estar
convosco como no paraíso de Deus (cfr. Ez 31,8.9; Ap
2,7). Por isso, fiquei cheia de alegria, transbordo de
consolação (cfr. 2Cor 7,4), e peço desculpas porque demorei
tanto para vir. Na verdade, o Senhor está convosco e eu não sabia
(cfr. Gn 28,16). Eis que já vejo o que almejei, já tenho o
que desejei, porque me uni na terra aos que representam para mim a
imagem daquele com quem estou desposada nos céus. Que o Senhor
abençoe a vossa fortaleza e receba as obras de vossas mãos (cfr. Dt
33,11).
65. Eu vos peço e rogo com insistência, como a meus filhos muito
queridos (cfr. 1Cor 4,14), que persvereis naquilo que
começastes por inspiração do Espírito Santo, sem abandonar vossa
perfeição, como alguns costumam fazer, mas, escapando de todas as
ciladas das trevas, esforçai-vos sempre pelo que é mais perfeito.
Altíssima é a vossa perfeição; brilha comn luz mais clara, mais
do que o homem, mais do que a virtude e a perfeição dos antigos.
Não tenhais nenhuma dúvida de que possuireis o reino dos céus, não
hesiteis, porque já tendes a garantia da herança futura e já
recebestes o penhor do Espírito, fostes marcados com o sinal da
glória de Cristo e, por graça dele, correspondeis em tudo àquela
sua primeira escola, que reuniu quando veio ao mundo. Pois o que eles
fizeram em sua presença foi o que vós começastes a fazer por completo
em sua ausência, e não tendes por que envergonhar-vos de dizer:
“Eis que deixamos tudo e te seguimos” (Mt 19,27)”.
66. Não vos espante a grandeza da luta e a imensidade do trabalho,
porque tereis uma grande recompensa. E, olhando para o autor e
consumador de todos os bens, o Senhor Jesus Cristo, quando lhe
ofereceram gozo enfrentou a cruz, desprezando a confusão, (Hb
12,2), mantende a confissão indeclinável da vossa esperança
(cfr. Hb 10,23). Correi ao certame que vos é proposto (Hb
12,1) na caridade. Correi com paciência, que vos é
principalmente necessária, para que, cumprindo a vontade de Deus,
alcanceis a promessa (Hb 10,36). Porque Deus é poderoso
(cfr. Rm 11,23) para poder consumar felizmente, por sua santa
graça, o que começastes e está acima de vossas forças, porque é
fiel em suas promessas.
67. “Não encontre em vós nada do que lhe agrada o espírito que
age nos filhos da rebeldia (cfr. Ef 2,2), que não encontre nada
duvidoso, nada desconfiado, para não ter motivos para desencadear
sobre vós a sua maldade. Porque é muito soberbo, e sua soberba e
arrogância são maiores do que o seu poder (cfr. Is 16,6).
Tem muita raiva (cfr. Ap 12,12) contra vós e vai voltar
contra vós as armas de toda a sua astúcia, tentando derramar o veneno
de sua malícia, pois já venceu e derrubou outros, e sofre por que
vos vê acima dele.
68. Por causa de vossa conversão, queridos, os cidadãos do céu
festejaram grandes gozos e cantaram cânticos novos diante do Rei
eterno (cfr. Sl 95,1; 97,1; Ap 5,9). Alegram-se os
anjos em vós e por vós, porque, enquanto por vós muitos vão
guardar a virgindade e brilhar pela castidade, vão encher-se as
ruínas da cidade superna, onde os virgens deverão ser colocados num
lugar mais destacado, porque os que não se casam nem se dão em
casamento serão como os anjos de Deus no céu (cfr. Mt
22.30). Exultam os Apóstolos ao verem que é renovada sua
forma de vida, que sua doutrina é pregada, e que por vós são
demonstrados exemplos da santidade especial. Alegram-se os mártires
vendo que, pela efusão do sangue sagrado, sua constância está sendo
apresentada de novo. Saltam de alegria os confessores, porque sabem
que em vós rememora-se freqüentemente a sua vitória sobre o
inimigo. Regozijam-se os virgens que seguem o Cordeiro onde quer que
Ele vá (cfr. Ap 14,4), vendo que, por vós aumenta todos os
dias o seu número. Por fim, toda a corte celestial enche-se de
exultação, celebrando as solenidades dos novos concidadãos todos os
dias, aspergida pelo odor das santas orações que sobem continuamente
deste vale.
69. Então eu vos suplico, irmãos, pela misericórdia de Deus,
(Rm 12,1), pela qual vos fizestes tão miseráveis, fazei de
fato aquilo que vos trouxe, aquilo para que subistes dos rios da
Babilônia. Recebei humildemente a graça que vos é oferecida,
usando-a sempre dignamente em tudo para o louvor, a glória e a honra
(cfr. Ap 4,9.11) daquele que morreu por vós, Jesus
Cristo, Senhor nosso, que com o Pai e o Espírito Santo, vive e
reina, vence e impera, Deus eternamente glorioso, por todos os
séculos dos séculos. Amém”.
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