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14. Como eles estavam correndo para o cume com um passo muito
fácil, eis que a Senhora Pobreza, em pé no pico da montanha,
olhou pelas escarpas do monte. Quando viu aqueles homens subindo com
tanta potência, e até voando, ficou fortemente admirada e disse:
Quem são esses que voam como nuvens e parecem pombas voltando a suas
janelas (Is 60,8)? Já faz tempo que não vejo pessoas assim,
nem vi tão expeditas por terem jogado fora toda a carga. Vou
falar-lhes do que se passa no meu coração, para que não se
arrependam como os outros de toda essa subida, e não vejam o abismo
que as cerca. Sei que eles não podem me alcançar sem o meu
consentimento, mas terei mérito diante de meu Pai celeste se lhes der
um conselho de salvação”.
13. E eis que se fez ouvir uma voz para ela (cfr. Lc 1,44),
dizendo: Não temas, filha de Sião (cfr. Jo 12,15), pois
estes são a descendência que o Senhor abençoou (cfr. Is
61,9) e escolheu em caridade não fingida (cfr. 2Cor
6,6)”. E assim, reclinando-se no trono de sua nudez, a
Senhora Pobreza adiantou-se a eles com bênçãos de doçura (cfr.
Sl 20,4) e lhes disse: “Qual é a causa de vossa vinda,
dizei-me, irmãos, e por que vindes com tanta pressa do vale dos
míseros ao monte da claridade? Ou será que me procurais, a mim
que, como vêdes, sou pobrezinha, sacudida pela tempestade e sem
consolação alguma (Is 54,11)?”.
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