Capítulo 4. A Pobreza se admira da facilidade dos que estão subindo.

14. Como eles estavam correndo para o cume com um passo muito fácil, eis que a Senhora Pobreza, em pé no pico da montanha, olhou pelas escarpas do monte. Quando viu aqueles homens subindo com tanta potência, e até voando, ficou fortemente admirada e disse: Quem são esses que voam como nuvens e parecem pombas voltando a suas janelas (Is 60,8)? Já faz tempo que não vejo pessoas assim, nem vi tão expeditas por terem jogado fora toda a carga. Vou falar-lhes do que se passa no meu coração, para que não se arrependam como os outros de toda essa subida, e não vejam o abismo que as cerca. Sei que eles não podem me alcançar sem o meu consentimento, mas terei mérito diante de meu Pai celeste se lhes der um conselho de salvação”.

13. E eis que se fez ouvir uma voz para ela (cfr. Lc 1,44), dizendo: Não temas, filha de Sião (cfr. Jo 12,15), pois estes são a descendência que o Senhor abençoou (cfr. Is 61,9) e escolheu em caridade não fingida (cfr. 2Cor 6,6)”. E assim, reclinando-se no trono de sua nudez, a Senhora Pobreza adiantou-se a eles com bênçãos de doçura (cfr. Sl 20,4) e lhes disse: “Qual é a causa de vossa vinda, dizei-me, irmãos, e por que vindes com tanta pressa do vale dos míseros ao monte da claridade? Ou será que me procurais, a mim que, como vêdes, sou pobrezinha, sacudida pela tempestade e sem consolação alguma (Is 54,11)?”.