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19. “Assim o Filho do sumo Pai enamorou-se de tua formosura
(cfr. Sb 8,2): prendendo-se só a ti no mundo, comprovando que
tu és fidelíssima em tudo. Pois ainda antes que viesse da pátria
luminosa para a terra, preparaste-lhe um lugar adequado, um trono
para sentar e um tálamo para descansar, isto é, a Virgem
paupérrima, de quem nasceu e brilhou para o mundo. É certo que
acorreste quando ele nasceu, para que encontrasse em ti e não nas
delícias um lugar de que gostasse. Diz o evangelista que ele foi
posto num presépio, porque não havia lugar para ele na estalagem
(Luc 2,7). E assim o acompanhaste sempre, para que em toda a
sua vida, quando foi visto na terra e conviveu com os homens (cfr.
Br 3,38), pois as raposas tinham tocas e as aves os seus ninhos,
mas ele não tinha onde reclinar a cabeça (cfr. Mt 8,20).
Depois, quando abriu a boca para ensinar, Ele, que outrora abrira a
boca dos profetas, entre muitas coisas que disse, louvou-te em
primeiro lugar, exaltou-te primeiramente dizendo: Bem-aventurados
os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt
5,3)”.
20. Mas, quando escolheu algumas testemunhas necessárias para a
santa pregação e para sua gloriosa convivência para a salvação do
gênero humano, certamente não escolheu ricos comerciantes mas pobres
pescadores, para mostrar com quanta estima tu devias ser amada por
todos. Finalmente, para que se manifeste a todos a tua bondade, a
tua magnificência e a tua fortaleza, e como precedes a todas as
virtudes, como sem ti não pode haver virtude nenhuma, como o teu
reino não é deste mundo (cfr. Jo 18,36), mas do céu, e
como, quando todos os escolhidos e amados o abandonaram medrosamente
foste a única que, então, aderiste ao rei da glória. Mas tu,
esposa fidelíssima, amiga dulcíssima, nem por um momento dele te
afastaste; antes, até aderias mais a Ele quanto mais o vias ser
desprezado por todos.
21. Pois, se não estivesses com Ele, nunca poderia ter sido
desprezado dessa maneira por todos. Estavas com Ele nas zombarias dos
judeus, nos insultos dos fariseus, nas exprobrações dos príncipes
dos sacerdotes; com Ele estavas nos tapas, nas cusparadas, nos
açoites. O que devia ser mais reverenciado por todos foi vilipendiado
por todos, e foste a única que o consolou. Não o abandonaste até a
morte, morte de cruz (cfr. Fl 2,8). E na própria cruz, com o
corpo já despido, os braços estendidos, as mãos e os pés
pregados, padecias com Ele, de modo que nada nele parecia mais
glorioso do que tu. Finalmente, quando foi embora para o céu,
deixou contigo o sinal do reino dos céus para marcar os eleitos, para
que todo aquele que suspira pelo reino eterno venha a ti, peça a ti,
entre por ti, porque, se não for marcado com o teu sinal (cfr. Ct
8,6; Ap 7,3) ninguém poderá entrar no reino.
22. Por isso, Senhora, tem compaixão de nós e marca-nos com o
sinal da tua graça. Quem seria tão tapado, tão sem gosto para não
te amar com todo o coração a ti que foste escolhida pelo Altísismo e
preparada desde a eternidade? Quem não te reverenciará e honrará,
quando te distinguiu com tanta honra Aquele a quem adoram todas as
virtudes do céu? Quem não adorará os vestígios de teus pés de boa
vontade, se a ti o Senhor da majestade se inclinou tão humildemente,
se uniu tão amigavelmente, aderiu com tanto amor? Por Ele e por
causa dele, nós te rogamos, Senhora, não desprezes nossos pedidos
nas necessidades, mas livra-nos sempre dos perigos, ó gloriosa e
bendita pela eternidade”.
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