Capítulo 7. Resposta da Senhora Pobreza.

23. A Senhora Pobreza, com o coração alegre, rosto sorridente e voz suave, respondeu dizendo:

“Confesso-vos, irmãos e amigos queridos, que, desde que começastes a falar, fiquei cheia de alegria, transbordo de gozo (cfr. 2Cor 7,4), vendo o vosso fervor, já conhecendo o vosso santo propósito. Vossas palavras tornaram-se para mim muito mais desejáveis que o ouro e a pedra preciosa, e mais doces que o mel e o favo (Sl 18,11). Pois não sois vós que falais mas é o Espírito Santo que fala em vós (cfr. Mt 10,20), e a sua unção vos ensina sobre todas as coisas (cfr. 1Jo 2,27) que falastes sobre o Rei altissimo, que, só por sua graça, tomou-me como a amada, assumiu o meu opróbrio (cfr. Lc 1,25) da terra, e me glorificou no céu entre os mais destacados.

24. Por isso eu quero, se não for pesado ouvir, contar-vos a longa mas não menos útil história da minha situação, para que aprendais como deveis andar e agradar a Deus (cfr. 1Ts 4,1), cuidando de não olhar para trás, vós que quereis pôr a mão no arado (cfr. Lc 9,62).

Não sou rude, como muitos acham, mas bastante antiga e rica em número de dias, conhecendo a disposição das coisas, a variedade das criaturas, a mutabilidade dos tempos. Conheço as flutuações do coração humano, em parte pela experiência do tempo, em parte pela sutileza natural, em parte pela dignidade da graça”.