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88. Na România, aconteceu que um grego, servo de certo senhor,
foi falsamente acusado de furto. O príncipe da região mandou que
fosse preso em um cárcere apertado e pesadamente acorrentado e,
depois, como sentença definitiva, ainda tinha que ter o pé cortado.
Sua esposa intercedeu solicitamente junto ao senhor para libertá-lo,
mas a dureza obstinada do homem não cedeu aos pedidos. Então a
senhora recorreu suplicante a São Francisco, recomendando o inocente
à sua piedade com um voto. Apresentou-se logo o auxiliador dos
infelizes, tomou na mãos o homem posto no cárcere, soltou as
correntes, quebrou a porta e levou o inocente para fora: "Eu sou",
disse, "a quem tua senhora confiou devotamente". Como o prisioneiro
estava muito aterrorizado e dava voltas para descer do altíssimo
precipício, de repente, sem saber como, viu-se no chão; voltou
logo para sua senhora e contou como foi o milagre. Logo ela mandou
fazer, de acordo com o voto, uma imagem de cera que pendurou junto do
quadro do santo para ser vista por todos. Mas o marido iníquo ficou
perturbado por causa disso, e tendo batido na mulher, foi atacado
gravemente por uma doença, da qual não conseguiu absolutamente
libertar-se enquanto não confessou a culpa, prestando devotos
louvores a Francisco, santo de Deus.
89. Em Massa de São Pedro, um pobrezinho devia uma quantia de
dinheiro a um cavaleiro; como não pudesse pagar, pela miséria, foi
aprisionado por seu credor, que o cobrava. Pediu que tivesse pena
dele e rezava pedindo um adiamento por amor de São Francisco,
achando que o cavaleiro respeitaria o famoso santo. parei aqui O
soberbo militar desprezou as súplicas, desprezando como bobagem o amor
pelo santo. Respondeu teimosamente: "Vou te prender num lugar e num
cárcere em que nem Francisco nem mais ninguém vai poder te ajudar".
E tentou fazer o que dizia. Encontrou um cárcere escuro, onde jogou
o homem amarrado. Pouco depois apresentou-se São Francisco, que
derrubou a porta e quebrou as correntes dos pés do prisioneiro,
devolvendo-o são e salvo a sua casa. Para demonstrar o maravilhoso
poder, cuja clemência tinha podido experimentar, o homem levou as
correntes para a igreja de São Francisco em Assis. Assim o poder
de São Francisco, vencendo o soberbo cavaleiro, libertou do mal o
preso que se confiou a ele.
90. Cinco oficiais de um grande príncipe, presos por suspeita, não
só foram duramente acorrentados mas também trancados num apertado
cárcere. Ouvindo dizer que o bem-aventurado Francisco brilhava em
toda parte por seus milagres, confiaram-se a ele com muita devoção.
Certa noite São Francisco apareceu a um deles e prometeu que iria
libertá-los. O que teve a visão ficou exultante e falou aos
companheiros sobre a graça prometida. Mesmo nas trevas, eles
choraram e se alegraram, fazendo votos e multiplicando as preces. Um
deles logo começou a cavar a fortificadíssima torre com um osso. O
duro material cedia como se fosse cinza compactada. Aberta a parede,
tentou sair e, tendo quebrado as correntes, foram saindo um depois do
outro. Se quisessem fugir ainda havia um imenso precipício mas, o
seu audaz comandante São Francisco deu-lhes a coragem de descer.
Puderam afastar-se incólumes e seguros, e exaltaram com grandes
louvores os feitos do santo.
91. Alberto de Arezzo, mantido numa duríssima cadeia por dívidas
injustamente dele cobradas, recomendou humildemente sua inocência a
São Francisco. Amava muito a ordem dos frades e venerava com afeto
especial o santo entre os outros santos. Mas o seu credor dissera
blasfemando que nem Deus nem São Francisco poderiam libertá-lo de
suas mãos. Aconteceu que na véspera do dia de São Francisco,
ficando o preso sem comer, porque por amor de São Francisco deu a
comida para um pobre, estava acordado de noite quando lhe apareceu
São Francisco. À sua entrada, caíram-lhe as correntes dos pés e
das mãos. As portas se abriram sozinhas e caíram as tábuas do
teto, deixando o homem livre para voltar para casa. Desde então
cumpriu o voto, jejuando na véspera de São Francisco e aumentando
cada ano uma onça na vela da sua oferta anual.
92. Um jovem da região de Città di Castello foi acusado de um
incêndio e trancado em dura prisão; confiou então humildemente a sua
causa a São Francisco. Uma noite, estando acorrentado e guardado,
ouviu uma voz que dizia: "Levanta-te depressa, e vai para onde
quiseres, porque tuas correntes estão soltas". Obedeceu à ordem
sem demora, saiu do cárcere e foi para Assis, para oferecer um
sacrifício de louvor ao seu libertador.
93. Ocupando a sé de São Pedro o papa Gregório IX, surgiram
necessariamente perseguições de hereges em diversos lugares. Nesse
tempo, um homem chamado Pedro, da cidade de Alife, foi acusado de
heresia e preso em Roma com outros. O papa Gregório entregou-o
para ser guardado pelo bispo de Tívoli. O bispo recebeu-o sob pena
de perder o bispado e mandou acorrentá-lo. Entretanto, como a sua
simplicidade demonstrava a inocência, foi tratado com menor rigor.
Conta-se que alguns nobres da cidade, querendo que o bispo sofresse o
castigo ameaçado pelo papa, porque tinham um ódio inveterado contra
ele, aconselharam às escondidas o referido Pedro a fugir. Ele
concordou, fugiu numa noite e logo foi para longe. Quando isso foi
descoberto, o bispo ficou muito preocupado, esperando temeroso a
pena, e lamentando que o plano de seus adversários tivesse dado
certo. Por isso tomou o maior cuidado e mandou enviados por toda
parte, reencontrando o coitado que, como ingrato, foi posto numa
guarda mais severa. Mandou preparar um cárcere escuro, cercado por
fortes muros; lá dentro ainda apertou o pobre em grossas tábuas
pregadas com cravos de ferro. Mandou que lhe pusessem nos pés algemas
de ferro que pesavam muitas libras, e lhe dessem comida e bebida com
peso reduzido. Já não havia mais nenhuma esperança de
libertação, mas Deus não suporta que a inocência pereça e logo o
socorreu com sua piedade. O homem começou a invocar, chorando e
rezando muito, que o bem-aventurado Francisco tivesse piedade dele,
porque ouviu dizer que era vigília de sua festa. Esse homem tinha
muita fé em São Francisco porque, como dizia, sabia que os hereges
tinham ladrado muito contra ele. Chegando já a noite de sua festa,
pela hora do crepúsculo, São Francisco teve compaixão e desceu ao
cárcere, chamou-o pelo nome e mandou que se levantasse depressa.
Aterrorizado pelo temor, ele perguntou quem era, e ouviu que São
Francisco estava ali. Levantou-se, chamou um guarda e disse:
"Estou perturbado por um terror muito grande, porque aqui está
alguém que me manda levantar e diz que é São Francisco". O
guarda respondeu: Deita-te em paz, miserável, e dorme! Estás
insano porque não comeste direito hoje". Mas como o santo de Deus
ainda o mandava levantar-se, viu que as correntes de seus pés se
quebraram e caíram rapidamente por terra. Olhando para o cárcere viu
que as tábuas se abriam sozinhas e lhe apresentavam o caminho aberto
para sair. Solto, estava assustado e não sabia fugir, mas gritando
na porta espantou todos os guardas. Quando eles anunciaram ao bispo
que ele tinha sido libertado, o bispo achou que ele tinha fugido e,
não sabendo que era um milagre, tomado de medo, porque estava
doente, caiu de onde estava sentado. Mas quando soube direito do que
tinha acontecido, foi ao cárcere com devoção e, conhecendo
manifestamente a força de Deus, lá adorou o Senhor. As correntes
foram levadas para o senhor papa e os cardeais que, quando viram o que
tinha acontecido, ficaram muito admirados e bendisseram a Deus.
94. Guidalotto de San Gimignano foi falsamente acusado de ter matado
um homem com veneno e que queria envenenar o filho e toda a família da
mesma pessoa. Por isso foi preso pelo podestá do lugar, trancado com
pesadíssimas correntes e jogado numa torre em ruínas. O podestá
ficou pensando nas penas que poderia aplicar-lhe para que confessasse o
crime pela tortura, e no fim mandou suspende-lo num cavalete
giratório. Ainda puseram em cima dele muitos pesos de ferro, até
que perdeu os sentidos. Mandou que fosse muitas vezes abaixado e
levantado, para que no meio de tantas penas levasse-o a confessar mais
depressa o crime. Mas o seu espírito de inocência se manifestava
alegre no rosto e não mostrava nenhuma tristeza nas torturas. Então
acenderam um bom fogo embaixo dele, mas nenhum de seus cabelos se
queimou, apesar de estar pendurado de ponta cabeça. No fim,
derramaram em cima dele óleo fervendo mas, como era inocente e se
tinha encomendado desde o começo ao bem-aventurado Francisco,
suportou tudo rindo. Naquela noite, como de manhã ele devia ser
levado para cumprir a pena, foi visitado pela presença de São
Francisco, e cercado por um imenso fulgor luminoso até de manhã,
ficou naquela claridade cheio de alegria t e com uma enorme confiança.
Bendito seja Deus que não permite que os inocentes pereçam e no
dilúvio de muitas águas está pronto x para os que nele esperam.
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