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109. Frei Tiago de Iseo, de nossa ordem, bem célebre e famoso,
deu um testemunho de si mesmo para glória de nosso pai, dando graças
ao santo de Deus pela graça da saúde. Quando era um menino ainda
pequeno na casa paterna, sofreu um ferimento grave no corpo, pelo qual
saíam em uma posição que não era a sua as partes escondidas do
corpo, colocadas pela natureza no segredo e por isso ele sofria muito
com o problema. O pai e os parentes, que sabiam a causa, sofriam
muito e, mesmo tentando muitas vezes a ajuda dos médicos, parece que
não conseguiam nada. Então o jovem começou, por inspiração
divina, a pensar na salvação da alma e a buscar com diligência Deus
que cura os contritos de coração e alivia seus sofrimentos. Por isso
entrou devotamente na Ordem de São Francisco, mas não falou a
ninguém sobre a doença que o atormentava. Mas, depois que estava
havia algum tempo na Ordem, quando os frades ficaram sabendo da
doença do moço, mesmo compadecidos, quiseram devolve-lo aos pais.
Mas foi tal a constância do rapaz que venceu a inoportuna decisão.
Então os frades cuidaram do jovem até que, confortado pela graça e
cheio de nobres virtudes, assumiu entre eles o cuidado das almas e se
distinguiu pela prática da observância regular. Aconteceu então
que, durante a transferência do corpo de São Francisco para o seu
lugar, o referido frade estava então presente com muitos outros nas
festas da translação. Aproximando-se do túmulo em que descansava o
corpo do pai santíssimo, começou a orar insistentemente pela velha
doença. De repente, de maneira admirável, voltando tudo ao seu
devido lugar, sentiu-se curado, deixou de lado o cinto e desde então
ficou livre de todas as dores que sofrera.
110. Um pisano, que soltava todos os "segredos do ventre" pelos
genitais, por causa da dor enorme e da vergonha profunda, tomou uma
decisão diabólica contra si mesmo. Levado por um profundo
desespero, resolveu não viver mais e matar-se com um laço. Nesse
meio tempo, todavia, sentindo-se tocado por uma consciência que
ainda não tinha acabado, começou a se lembrar do nome de São
Francisco e a repeti-lo, invocando-o ainda que debilmente. De
repente, recebeu uma rápida conversão da maldita decisão e a cura
imediata da enorme chaga.
111. O filho de um morador de Cisterna na Marítima sofria de uma
enorme hérnia nos genitais e não conseguia reter os intestinos. De
fato, o cinto com que se costuma ajeitar esses problemas, acabou
multiplicando o mal. Atormentavam-se os infelizes pais e a horrenda
vista desse mal causava compaixão nos vizinhos e conhecidos. Depois
de ter tentado todo tipo de curas com remédios, como nada adiantasse,
pai e mãe consagraram devotamente o filho a São Francisco. Por
isso levaram-no nodia de São Francisco à igreja construída em sua
honra em Velletri, colocaram-no diante da imagem do santo, fizeram
um voto e choraram por ele com muitas outras pessoas. Durante o canto
do Evangelho, e se chegou às palavras "é revelado aos pequenos o
que foi escondido aos sábios (cfr. Mt 11,25), o cinto se
arrebentou de repente e caíram os remédios que de nada adiantavam. A
ferida cicatrizou na mesma hora e toda a desejada saúde foi
recuperada. Houve um grande clamor dos que louvavam o Senhor e
veneravam o seu santo.
112. Em Ceccano, aldeia da Campânia, um sacristão chamado
Nicolau estava entrando de manhã cedinho na igreja, quando por um
acaso repentino levou um tombo de modo que seus intestinos saíram todos
pela parte genital. Correram os clérigos e outros vizinhos,
levantaram-no e o levaram para a cama. Ficou oito dias imóvel, sem
poder levantar-se nem para fazer as necessidades. Foram chamados os
médicos e fizeram tudo que podiam, mas a dor aumentava, e a doença
em vez de sarar, piorava. Os intestinos, que tinham enchido o lugar
indevido, causavam tanta dor ao homem que por oito dias ele não
conseguiu nem comer. Desesperado e já desenganado, voltou-se para a
ajuda de São Francisco. Tinha uma filha religiosa e temente a
Deus, a quem exortou a implorar o auxílio de São Francisco para
ele. A filha bendita saiu para fora um pouco e, rezando com muitas
lágrimas, intercedeu ao pai pelo seu pai. Que grande a força da
oração! Logo o pai a chamou enquanto ainda estava rezando e lhe deu
a notícia da inesperada cura. Tudo tinha voltado para o devido
lugar, e ele achava que estava melhor do que antes do tombo. Por isso
prometeu a São Francisco que sempre o teria como padroeiro e que
festejaria todos os anos o dia de sua festa.
113. Em Spello um homem sofria de uma hérnia tão grave, já fazia
dois anos, que parecia que pelo baixo ventre ia sair tudo que tinha
dentro. De fato, não conseguiu deter por muito tempo a saída dos
intestinos e nem faze-los voltar ao seu lugar com ajuda dos médicos.
Por isso, desenganado pelos médicos, voltou-se para o auxílio
divino. Invocando devotamente os méritos do bem-aventurado
Francisco, sentiu que a hérnia estava sendo curada rapidamente, e a
deformidade ficou acertada.
114. Na diocese de Sora, um moço chamado João, sofria de uma
hérnia intestinal tão grande que não podia ser ajudado por nenhum
remédio dos médicos. Aconteceu que, um dia, sua mulher foi a uma
igreja do bem-aventurado Francisco. Estava rezando pela saúde do
marido quando um dos frades lhe disse com simplicidade: "Vai dizer ao
teu marido que se consagre a São Francisco e faça um sinal da cruz
no lugar da hérnia!". Voltando para casa, a mulher contou isso ao
marido. Ele fez um voto a São Francisco, fez o sinal no lugar e os
intestinos logo voltaram para onde deviam estar. O homem se admirou da
súbita e inesperada cura e começou a fazer muitos exercícios para
comprovar que era verdadeira a cura que recebera. Estando ele mesmo
com uma febre aguda, São Francisco apareceu-lhe em sonhos,
chamou-o pelo nome e disse: "Não temas, João, porque ficarás
curado de tua doença". A maior garantia desse milagre vem do fato de
que São Francisco apareceu a um homem religioso, chamado Roberto
e, quando este lhe perguntou quem era, disse: "Eu sou Francisco,
que vim para curar um amigo meu".
115. Na Sicília, um tal de Pedro, que sofreu de repente de uma
hérnia inguinal. São Francisco o curou justamente quando fazia a
promessa de ir visitar seu túmulo.
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