Capítulo 15. Sobre leprosos e hemorrágicos.

146. Em São Severino, um moço chamado Ato, estava todo leproso. Todos os membros que lhe restavam estavam túmidos e inchados e via tudo com um olhar horrível. Por isso ficava sempre doente na cama, causando muita tristeza em seus pais. Um dia seu pai se dirigiu a ele e o convenceu a fazer um voto a São Francisco. Ele concordou com alegria e o pai mandou buscar um pavio de vela com o qual mediu a altura dele. Prometeu que todos os anos levaria a São Francisco uma vela do tamanho do rapaz. Assim que fez o voto, ele se levantou do lugar e ficou limpo da lepra.

147. Um outro indivíduo, chamado Bom Homem, da cidade de Fano, paralítico e leproso, foi levado pelos pais à igreja de São Francisco e conseguiu a cura dos dois males.

148. Uma mulher nobre, chamada Rogata, na diocese de Sora, sofria de um fluxo de sangue havia vinte e três anos. Ouvindo um menino cantar em língua vulgar os milagres que Deus fizera pelo bem aventurado Francisco naqueles dias, comoveu-se com uma dor profunda, começou a chorar e a dizer dentro de si, com inflamada fé: "Ó beatíssimo pai Francisco, em quem brilham tantos milagres, digna-te livrar-me destes sofrimentos! Ainda não fizeste um milagre tão grande". Pois, por perder sangue demais, volta e meia parecia que ela ia morrer; e quando a hemorragia diminuía, o corpo inteiro inchava. Que mais? Depois de poucos dias, sentiu-se libertada pelos méritos do pai beatíssimo. Também o filho dela, chamado Mário, que tinha um braço encolhido, só com um voto ao santo de Deus ficou curado.

149. Uma mulher da Sicília, cansada de uma hemorragia de sete anos, foi curada pelo bem-aventurado Francisco, porta-bandeira de Cristo.