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150. Pedro de Foligno, que tinha ido visitar certa vez o santuário
de São Miguel, provando da água de uma fonte, pareceu que tinha
bebido demônios. Ficou obsesso por três anos, machucado no corpo,
dizendo coisas péssimas e querendo fazer coisas horrorosas.
Finalmente, mal tocou com a mão o sepulcro do bem-aventurado pai e
invocou sua ajuda humildemente, e já ficou maravilhosamente livre dos
demônios que o haviam atormentado tão cruelmente.
151. A uma mulher da cidade de Narni que tinha um demônio, mandou
que fizesse o sinal da cruz. Como ela, perdida de mente, não
soubesse absolutamente como fazer, o bem-aventurado pai fez-lhe o
sinal da cruz e espantou todo o seu sofrimento diabólico.
152. Na Marítima, uma mulher sofria de loucura fazia cinco anos,
e ficou sem enxergar e sem escutar. Estraçalhava a roupa com os
dentes, não tinha medo nenhum nem do fogo nem da água, e sofria
ataques horríveis de epilepsia. Uma noite, dispondo a divina
misericórdia que ela fosse poupada, teve um sono salutar. Pois viu o
bem-aventurado Francisco sentado em um trono muito bonito, diante do
qual estava prostrada pedindo suplicantemente a saúde. Como o santo
não correspondia aos pedidos, a mulher fez um voto, prometendo que
por seu amor, quanto pudesse, nunca iria negar uma esmola. O santo
logo aceitou o voto, semelhante ao que ele fizera em seu tempo com
Deus, e marcando-a com o sinal da cruz, restituiu-lhe toda a
saúde.
153. Em Nórcia, uma jovem sofria havia muito tempo um mal estar:
no fim, revelou-se que estava possessa do demônio. Pois muitas
vezes rangia os dentes e feria a si mesma, não evitava os precipícios
nem tinha medo de perigos. Perdeu a fala e o uso dos membros, não
parecendo mais um ser racional. Seus pais, angustiados por sua
descendência, levaram-na a Assis amarrada em uma maca em cima de um
jumento. No dia da Circumcisão do Senhor, enquanto se celebrava a
Missa solene e a moça estava prostrada no chão junto ao altar de
São Francisco, de repente vomitou alguma coisa maldita. Logo
depois ficou em pé, beijou o altar de São Francisco e plenamente
libertada de toda doença, exclamou em voz alta: "Louvai a Deus e
ao seu santo (cfr. At 10,1.2)!".
154. O filho de um nobre sofria do tormento doloroso da epilepsia.
Espumava pela boca, olhava para tudo com um olhar estranho, e com o
abuso dos membros cuspia algo de diabólico. Os pais imploravam o
santo de Deus, pedindo remédio e oferecendo seu pobre filho à sua
compaixão e piedade. Uma noite o amigo piedoso apareceu à mãe, que
estava dormindo, e lhe disse: "Eu vim salvar o teu filho!".
Ouvindo isso, a mulher acordou e se levantou tremendo, mas encontrou
o filho perfeitamente curado.
155. Acho que não posso calar-me sobre o maravilhoso poder que teve
durante sua vida sobre os demônios. Na aldeia de San Gimignano, o
homem de Deus, quando estava pregando o Reino dos céus,
hospedou-se na casa de um homem temente a Deus, cuja mulher, como
todos sabiam, era possessa do demônio. Rogaram por ela ao
bem-aventurado Francisco, que, temendo o aplauso das pessoas,
recusou-se terminantemente a fazer isso. No fim, movido pelos
numerosos pedidos, colocou nos três ângulos três frades que estavam
com ele para rezarem, retirando-se para orar no quarto ângulo.
Quando acabou de rezar, chegou-se confiantemente à mulher, que era
terrivelmente atormentada, e ordenou ao demônio, em nome de Jesus
Cristo, que saísse. À sua ordem, ele saiu com tanta rapidez e
furor que o homem de Deus julgou que tinha sido iludido. Por isso,
saiu envergonhado daquele lugar. Quando passou outra vez por aquela
aldeia, aquela mulher ia pela praça clamando atrás dele, beijando os
rastos de seus pés, para que se dignasse falar com ela. O santo,
recebendo a garantia de muitos de que ela tinha sido libertada, só
então, concordou em falar com ela, porque muitos estavam pedindo.
156. Numa outra ocasião, estando o santo em Città di Castello,
uma mulher que tinha o demônio foi levada à casa em que ele estava.
Estava lá fora, rangia os dentes e perturbava todo mundo com seus
gritos. Mas muitos rogaram ao santo de Deus por sua libertação,
lamentando que já estavam atormentados havia muito tempo por aquela
loucura. O bem-aventurado Francisco enviou-lhe um frade que estava
com ele, querendo experimentar se era o demônio ou algum engano da
mulher. Mas ela, sabendo que não era São Francisco, caçoou e
fez pouco dele. O pai santo estava dentro da casa rezando. Quando
acabou a oração, saiu ao encontro da mulher. Não agüentando sua
presença, ela se revirava violentamente no chão. O santo de Deus
impôs ao demônio que saísse por obediência. Saiu na mesma hora, e
deixou a mulher incólume.
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