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29. Por esse tempo, ingressou na Ordem um outro homem de bem,
chegando a oito o número de irmãos. Então São Francisco
chamou-os todos a si e, tendo-lhes falado muitas coisas sobre o reino
de Deus, o desprezo do mundo, a abnegação da própria vontade e a
mortificação do corpo, dividiu-os dois a dois pelas quatro partes do
mundo e lhes disse: "Ide, caríssimos, dois a dois, por todas as
partes do mundo, anunciando aos homens a paz e a penitência para a
remissão dos pecados; sede pacientes na tribulação, confiando que o
Senhor vai cumprir o que propôs e prometeu. Aos que vos fizerem
perguntas respondei com humildade, aos que vos perseguirem e caluniarem
agradecei, porque através disso tudo nos está sendo preparado um
reino eterno".
Recebendo o mandato da santa obediência com gáudio e muita alegria,
eles se prostraram suplicantes diante de São Francisco. Ele os
abraçava e dizia com ternura a cada um: "Põe teus cuidados no
Senhor e ele cuidará de ti". Sempre repetia essas palavras quando
transmitia alguma obediência aos irmãos.
30. Frei Bernardo e Frei Egídio foram para São Tiago de
Compostela. São Francisco e um companheiro escolheram outra
região, e os outros quatro foram dois a dois para os lados que
restaram.
Pouco tempo depois, São Francisco desejou revê-los e orou ao
Senhor, que congrega os dispersos de Israel, que se dignasse
reuni-los outra vez sem demora. E assim sucedeu, conforme o seu
desejo: bem depressa, sem que ninguém os chamasse, eles se
encontraram, dando graças a Deus.
Reunidos, manifestaram sua grande alegria por rever o piedoso pastor e
se admiraram de terem tido todos o mesmo desejo ao mesmo tempo.
Contaram depois as coisas boas que o misericordioso Senhor lhes tinha
feito e pediram correção e castigo ao santo pai pelas negligências e
ingratidões que pudessem ter cometido, cumprindo-os diligentemente.
Era isso que costumavam fazer todas as vezes que chegavam a ele, e
não lhe ocultavam o menor pensamento e até os impulsos das paixões.
Mesmo tendo cumprido tudo que lhes fora ordenado, ainda se achavam
servos inúteis. Essa primeira escola de São Francisco tinha tal
pureza de coração que, embora soubessem fazer coisas úteis, santas
e justas, não sabiam absolutamente vangloriar-se por causa disso.
Mas o santo pai, abraçando seus filhos com muita caridade, começou
a manifestar-lhes seus projetos e o que o Senhor lhe havia revelado.
31. Logo se uniram a eles outros quatro homens bons e idôneos, que
seguiram o santo de Deus. Espalhou-se um grande comentário no meio
do povo, e a fama do homem de Deus começou a se estender para mais
longe. São Francisco e seus irmãos tinham naquele tempo uma imensa
alegria e um prazer especial, quando alguém, quem quer que fosse,
devoto, rico, pobre, nobre, plebeu, desprezado, benquisto,
prudente, simples, clérigo ou leigo, levado pelo espírito de
Deus, ia receber o hábito da Ordem.
Os leigos se admiravam muito de tudo isso, e o exemplo de humildade
levava-os a corrigir suas vidas e a fazer penitência pelos pecados.
Sua simplicidade e a insegurança de sua pobreza não eram obstáculo
nenhum para edificarem santamente aqueles que Deus queria edificar,
pois ele gosta de estar com os desprezados do mundo e com os simples.
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