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34. Muito contentes com a bondade e generosidade do grande pai e
senhor, Francisco e seus irmãos deram graças a Deus
todo-poderoso, que exalta os humildes e conforta os aflitos. Foram
logo visitar o túmulo de São Pedro e, terminada a oração,
saíram de Roma e tomaram o caminho do vale de Espoleto.
Durante a viagem, conversavam sobre tantos e tão grandes dons de
Deus clementíssimo: como tinham sido cordialmente recebidos pelo
vigário de Cristo, senhor e pai de todo o povo cristão; como
poderiam pôr em prática suas admoestações e preceitos; como
poderiam observar com sinceridade e guardar com firmeza a Regra que
tinham recebido; como fariam para viver diante de Deus com toda
santidade e religiosidade; como, finalmente, sua vida e costumes,
pelo crescimento das virtudes, poderiam servir de exemplo para os
outros.
Mas, enquanto os novos discípulos de Cristo discutiam bastante sobre
esses assuntos, como numa escola de humildade, o dia se adiantou e a
hora passou. Chegaram a um lugar solitário, muito cansados, e, com
fome, não conseguiram nada para comer, porque estavam longe de
qualquer povoação. Subitamente, porém, por graça de Deus,
encontraram um homem com um pão. Deu-lho e se foi. Como não o
conheciam, ficaram profundamente admirados. Cheios de devoção,
exortavam-se mutuamente a ter maior confiança na misericórdia de
Deus.
Reconfortados pelo alimento, chegaram a um lugar perto de Orte, e
ali ficaram quase quinze dias. Para terem o que comer, alguns deles
iam à cidade e levavam aos outros o pouco que podiam recolher,
mendigando de porta em porta. Comiam juntos, cheios de alegria e
dando graças. Se sobrava alguma coisa, não tendo ninguém a quem
dar, guardavam-na em um sepulcro que já servira para guardar corpos
de mortos, para comê-la depois. O lugar era deserto e abandonado e
pouca gente, ou ninguém, passava por ali.
35. Grande era seu regozijo por nada verem, nem possuírem que os
pudesse prender às coisas vãs e agradáveis aos sentidos. Por isso
iniciaram aí sua aliança com a santa pobreza e, extraordinariamente
consolados pela falta de todas as coisas que são do mundo, decidiram
permanecer sempre unidos a ela, como estavam ali. Pondo de lado toda
solicitude pelos bens terrenos, só lhes interessava a consolação de
Deus. Por isso resolveram com firmeza não se apartar dos braços da
pobreza por maiores que fossem as tribulações e tentações.
Embora a amenidade daquele lugar, que bem lhes poderia debilitar o
vigor do espírito, não os estivesse prendendo, eles o abandonaram
para que uma permanência mais longa não tivesse nem exteriormente
alguma aparência de posse, e, seguindo o feliz pai, entraram no vale
de Espoleto.
Fiéis cultores da justiça, discutiam também se deveriam permanecer
entre os homens ou retirar-se para lugares desertos. Mas São
Francisco, que não confiava em sua sabedoria mas prevenia tudo com a
santa oração, preferiu não viver apenas para si mesmo, mas para
aquele que morreu por todos, convencido de que tinha sido mandado para
conquistar para Deus as almas que o demônio se empenhava em
arrebatar.
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