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68. Um irmão padecia freqüentemente de uma doença muito grave e
horrível de se ver, cujo nome não sei e que alguns atribuíam ao
demônio. Muitas vezes se debatia todo e ficava com um aspecto
miserável, revirando-se e espumando. Seus membros se contraíam e
se estendiam, dobravam-se entortados ou ficavam rijos e duros. Às
vezes ficava estendido e rígido, juntava os pés e a cabeça,
elevava-se no alto até a altura de um homem e de repente caía por
terra. Com pena de seu grande sofrimento, São Francisco foi
visitá-lo, rezou, fez o sinal da cruz sobre ele e o abençoou.
Ficou imediatamente curado e nunca mais teve os sintomas dessa
doença.
69. Passando um dia o santo pai Francisco pela diocese de Narni,
chegou a um povoado chamado San Gemini. Anunciando aí a palavra de
Deus, foi hospedado com outros três frades por um homem que temia e
venerava a Deus e tinha muito boa fama naquela terra. Sua mulher era
perturbada por um demônio, como era do conhecimento de todos na
cidade. O marido pediu a São Francisco por ela, confiando que por
seus méritos ela poderia ser libertada. Mas o santo se recusou
absolutamente a fazer isso, porque em sua simplicidade preferia o
desprezo em lugar dos favores do mundo pela demonstração de
santidade. Afinal, porque era para a glória de Deus e muitos
estavam pedindo, rendeu-se às súplicas. Chamou os três irmãos
que estavam com ele e colocou um em cada ângulo da casa,
dizendo-lhes: "Irmãos, oremos ao Senhor por esta mulher, para
que Deus a liberte do jugo do demônio, para sua glória e seu
louvor. Vamos ficar nos ângulos da casa para que este espírito
maligno não nos possa fugir ou enganar, procurando esconderijo nos
cantos".
Quando acabou a oração, São Francisco aproximou-se da mulher
cheio da virtude do Espírito. Ela se revolvia em convulsões e
gritava horrorosamente. Disse o santo: "Em nome de Nosso Senhor
Jesus Cristo, mando-te por obediência, ó demônio, que saias
dela e jamais te atrevas a molestá-la". Logo que acabou de falar,
o demônio saiu tão rápido e com tanto furor e barulho que, pela
súbita cura da mulher e pela obediência tão pronta do demônio, o
santo pai pensou que tivesse sido enganado. Saiu envergonhado daquele
lugar, por disposição da divina providência, para que não pudesse
vangloriar-se de alguma coisa.
Numa outra vez que o santo passou pelo mesmo local, Frei Elias
estava com ele. Quando aquela mulher soube de sua vinda, saiu
imediatamente a correr pela praça, pedindo aos gritos que se dignasse
falar com ela. Ele não queria falar, pois sabia que era a mulher de
quem tinha expulsado um demônio pela virtude de Deus. Mas ela
beijava os rastros de seus pés, dando graças a Deus e a São
Francisco seu servo, que a tinha libertado da mão da morte.
Finalmente, Frei Elias forçou o santo com seu pedido. Falou com
ela e foi certificado por muitos, tanto da doença, como já
dissemos, como da cura.
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