CAPÍTULO 25. Livra um irmão de uma doença epilética, isto é, de um demônio, e uma possessa em San Gemini

68. Um irmão padecia freqüentemente de uma doença muito grave e horrível de se ver, cujo nome não sei e que alguns atribuíam ao demônio. Muitas vezes se debatia todo e ficava com um aspecto miserável, revirando-se e espumando. Seus membros se contraíam e se estendiam, dobravam-se entortados ou ficavam rijos e duros. Às vezes ficava estendido e rígido, juntava os pés e a cabeça, elevava-se no alto até a altura de um homem e de repente caía por terra. Com pena de seu grande sofrimento, São Francisco foi visitá-lo, rezou, fez o sinal da cruz sobre ele e o abençoou. Ficou imediatamente curado e nunca mais teve os sintomas dessa doença.

69. Passando um dia o santo pai Francisco pela diocese de Narni, chegou a um povoado chamado San Gemini. Anunciando aí a palavra de Deus, foi hospedado com outros três frades por um homem que temia e venerava a Deus e tinha muito boa fama naquela terra. Sua mulher era perturbada por um demônio, como era do conhecimento de todos na cidade. O marido pediu a São Francisco por ela, confiando que por seus méritos ela poderia ser libertada. Mas o santo se recusou absolutamente a fazer isso, porque em sua simplicidade preferia o desprezo em lugar dos favores do mundo pela demonstração de santidade. Afinal, porque era para a glória de Deus e muitos estavam pedindo, rendeu-se às súplicas. Chamou os três irmãos que estavam com ele e colocou um em cada ângulo da casa, dizendo-lhes: "Irmãos, oremos ao Senhor por esta mulher, para que Deus a liberte do jugo do demônio, para sua glória e seu louvor. Vamos ficar nos ângulos da casa para que este espírito maligno não nos possa fugir ou enganar, procurando esconderijo nos cantos".

Quando acabou a oração, São Francisco aproximou-se da mulher cheio da virtude do Espírito. Ela se revolvia em convulsões e gritava horrorosamente. Disse o santo: "Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, mando-te por obediência, ó demônio, que saias dela e jamais te atrevas a molestá-la". Logo que acabou de falar, o demônio saiu tão rápido e com tanto furor e barulho que, pela súbita cura da mulher e pela obediência tão pronta do demônio, o santo pai pensou que tivesse sido enganado. Saiu envergonhado daquele lugar, por disposição da divina providência, para que não pudesse vangloriar-se de alguma coisa.

Numa outra vez que o santo passou pelo mesmo local, Frei Elias estava com ele. Quando aquela mulher soube de sua vinda, saiu imediatamente a correr pela praça, pedindo aos gritos que se dignasse falar com ela. Ele não queria falar, pois sabia que era a mulher de quem tinha expulsado um demônio pela virtude de Deus. Mas ela beijava os rastros de seus pés, dando graças a Deus e a São Francisco seu servo, que a tinha libertado da mão da morte. Finalmente, Frei Elias forçou o santo com seu pedido. Falou com ela e foi certificado por muitos, tanto da doença, como já dissemos, como da cura.