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Quando ficou melhor, a mãe perguntou: "Quem te curou, meu
filho?" Ele respondeu balbuciando: "O Chico, o Chico".
Perguntaram: "A quem tens que agradecer?" Respondeu outra vez:
"Ao Chico, ao Chico". Era muito pequeno e não sabia falar
direito, por isso falava o nome de São Francisco de modo truncado.
140. Um moço estava em um lugar muito alto e caiu lá de cima,
perdendo a fala e todo o movimento dos membros. Passou três dias sem
comer nem beber, sem sentir coisa alguma: parecia ter morrido. Sua
mãe, deixando de lado os médicos, pedia a São Francisco que o
salvasse. Fez um voto, recebeu-o vivo e incólume, e se pôs a
louvar a onipotência do Salvador.
Um outro, chamado Mancino, teve uma doença mortal e foi desenganado
por todos, mas invocou o nome do bem-aventurado Francisco e
imediatamente começou a convalescer.
Um menino de Arezzo, chamado Válter, tinha febres constantes e era
atormentado por dois tumores. Foi desenganado pelos médicos mas os
pais fizeram uma promessa a São Francisco e ele recobrou a saúde.
Um outro estava à morte e ficou imediatamente livre de toda doença
quando lhe fizeram uma imagem de cera, e ainda antes de acabá-la.
141. Uma mulher que estava de cama havia muitos anos, sem poder
mexer-se ou se virar, consagrou-se a Deus e a São Francisco.
Ficou livre de toda doença e voltou a dar conta de seus afazeres.
Em Narni, havia uma mulher que tinha uma das mãos ressequida havia
oito anos, e nada podia fazer com ela. Um dia, nosso pai São
Francisco apareceu-lhe numa visão, e lhe curou a mão, deixando-a
tão boa quanto a outra.
Um moço da mesma cidade estava doente havia dez anos, todo inchado,
sem encontrar remédio que lhe servisse. Pelos méritos de São
Francisco, por um voto feito por sua mãe, obteve imediatamente a
recuperação da saúde.
Em Fano, havia um hidrópico com os membros horrivelmente inchados.
Pelos méritos de São Francisco, conseguiu ficar inteiramente livre
da doença.
Um cidadão de Todi estava tão atacado de gota artrítica que não
podia sentar-se nem descansar de maneira alguma. Esse mal lhe causava
tamanhos calafrios que já parecia liquidado. Consultou médicos,
tomou todo tipo de banhos e remédios, mas não conseguiu nenhum
alívio. Um dia, na presença de um sacerdote, fez um voto para que
São Francisco lhe restituísse a antiga saúde. Foi só fazer as
orações ao santo e logo se viu são como antigamente.
142. Uma paralítica de Gúbio invocou três vezes São
Francisco, ficou livre da doença e curada.
Um certo Bontadoso sofria muito com uma doença nos pés e nas mãos:
não podia se mover nem se virar para lado algum, e já não comia nem
dormia. Um dia, foi visitá-lo uma mulher e o aconselhou a se
recomendar com devoção a São Francisco se quisesse ficar curado bem
depressa. Fora de si pelo sofrimento, respondeu-lhe o doente:
"Não acredito que ele seja santo". Mas a mulher persistiu em seu
conselho e ele acabou dizendo: "Eu me consagrarei a São Francisco
e acreditarei que ele é santo se me livrar desta doença dentro de
três dias". Pelos méritos do santo de Deus ficou logo curado,
podendo andar, comer e dormir, dando glória a Deus todo- poderoso.
143. Um homem tinha sido ferido gravemente por uma flecha de ferro
que penetrara pelo olho e estava encravada na cabeça. Os médicos
não podiam fazer nada e ele se recomendou com súplice devoção a
São Francisco, esperando ficar livre por sua intercessão. Tendo
deitado um pouco e dormido, São Francisco lhe disse em sonhos que
devia tirar a flecha por trás da cabeça. Isso foi feito no dia
seguinte, e ele ficou livre sem grande dificuldade.
144. Imperador, um homem do povoado de Spelo, sofria havia dois
anos de uma hérnia grave, pois os intestinos lhe saiam para fora.
Não conseguindo colocá-los para dentro por muito tempo, nem acertar
seu lugar, precisava andar com uma almofada amarrada. Recorreu aos
médicos, procurando alívio, mas pediam um preço que não podia
pagar, pois sequer tinha como sustentar-se por um dia, e desanimou de
uma vez da medicina. Voltou-se para o auxílio divino e começou a
invocar São Francisco na rua, em casa e onde quer que estivesse.
Dentro de pouco tempo, pela graça de Deus e os merecimentos de São
Francisco, recobrou toda a saúde.
145. Um de nossos frades, na Marca de Ancona, tinha uma
fístula de tal gravidade nas ilhargas ou nas costas, que todos os
médicos já tinham desistido de tratá-lo. Pediu então licença ao
seu ministro para ir visitar o túmulo do santo pai, achando que
conseguiria a graça da cura pela fé nos merecimentos do santo. Mas o
ministro não deixou, temendo que por causa da neve e das chuvas
daquele tempo o frade viesse a piorar pelo cansaço da viagem. Estando
o frade um tanto perturbado por não ter conseguido a licença,
apareceu-lhe uma noite São Francisco e lhe disse: "Filho, não
te perturbes mais com isso, tira as peles que estás vestindo, e joga
fora o emplastro e as ataduras. Observa tua Regra e serás
libertado". Ao levantar-se, de manhã, obedeceu ao que lhe tinha
sido mandado e pôde agradecer a Deus pela cura repentina.
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