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Em outra ocasião, Vital de Aversa, homem cobiçoso de glória e
intrépido nas batalhas, moveu contra Assis o exército imperial, que
comandava. Despiu a terra de suas árvores, assolou todos os
arredores e acabou pondo cerco à cidade. Declarou ameaçadoramente
que de nenhum modo se retiraria, enquanto não a tivesse tomado. De
fato, já havia chegado o ponto em que se temia a queda iminente da cidade.
Quando Clara, a serva de Cristo, soube disso, suspirou
veementemente, chamou as Irmãs e disse: "Filhas queridas,
recebemos todos os dias muitos bens desta cidade. Seria muita
ingratidão se, na hora em que precisa, não a socorrêssemos como podemos".
Mandou trazer cinza, disse às Irmãs que descobrissem a cabeça.
E, primeiro, espalhou muita cinza sobre a cabeça nua. Colocou-a
depois também sobre as cabeças delas. Então disse: "Vão
suplicar a nosso Senhor com todo o coração a libertação da cidade".
Para quê contar detalhes? Que direi das lágrimas das virgens, de
suas preces "violentas"? Na manhã seguinte, Deus misericordioso
deu a saída para o perigo: o exército debandou e o soberbo, contra
os planos, foi embora e nunca mais oprimiu aquelas terras. Pouco
depois o comandante guerreiro foi morto a espada.
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