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Não é de admirar que a oração de Clara tivesse poder contra a
maldade dos homens, se fazia arder até os demônios. Aconteceu que
uma devota, da diocese de Pisa, veio uma vez ao lugar para agradecer
a Deus e a Santa Clara porque, por seus méritos, fora libertada de
cinco demônios. Na hora da expulsão, os demônios confessaram que a
oração de Santa Clara os queimava e os desalojava daquele vaso de
sua posse.
Não foi à-toa que o senhor papa Gregório teve admirável fé nas
orações desta santa, cuja virtude provara ser eficaz. Muitas
vezes, como bispo de Óstia ou já elevado ao trono apostólico, ao
surgir alguma dificuldade, como acontece, dirigia-se por carta à
mencionada virgem: pedia orações e já sentia a ajuda. É algo
certamente notável pela humildade e que deve ser fervorosamente
imitado: o Vigário de Cristo reclamando a ajuda da serva de Cristo
e recomendando-se a suas virtudes.
Certamente sabia de que é capaz o amor e como é livre o acesso das
virgens puras ao consistório da divina Majestade. Se o Rei dos
céus entrega-se Ele mesmo aos que o amam com fervor, o que não há
de conceder, se convém, aos que o rogam com devoção?
Quão grande foi o devoto amor de Clara pelo Sacramento do Altar
demonstram-no os fatos. Durante a grave doença que a prendeu à
cama, fazia-se erguer e sustentar colocando apoios. Assim,
sentada, fiava panos finíssimos, com os quais fez mais de cinqüenta
jogos de corporais que, colocados dentro de bolsas de seda ou de
púrpura, destinava a diversas igrejas do vale e das montanhas de Assis.
Ao receber o Corpo do Senhor, lavava-se antes em lágrimas ardentes
e, acercando-se a tremer, não o temia menos escondido no sacramento
que regendo céu e terra.
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