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Como ela se lembrava de seu Cristo na doença, Cristo também a
visitou em seus sofrimentos. Na hora do Natal, em que o mundo se
alegra com os anjos diante do Menino recém-nascido, todas as
senhoras foram à capela para as Matinas, deixando a madre sozinha,
oprimida pela doença. Ela começou a meditar sobre o pequenino Jesus
e, sofrendo muito por não poder assistir seus louvores, suspirou:
"Senhor Deus, deixaram-me aqui sozinha para Vós". E eis que de
repente começou a ressoar em seus ouvidos o maravilhoso concerto que se
desenrolava na igreja de São Francisco. Escutava o júbilo dos
irmãos salmodiando, ouvia a harmonia dos cantores, percebia até o
som dos instrumentos.
O lugar não era tão próximo que pudesse chegar a isso humanamente:
ou a solenidade tinha sido amplificada até ela pelo poder divino, ou
seu ouvido tinha sido reforçado de modo sobre-humano. Mas o que
superou todo esse prodígio foi que mereceu ver o próprio presépio do Senhor.
Quando as filhas vieram, de manhã, disse a bem-aventurada Clara:
"Bendito seja o Senhor Jesus Cristo, que não me deixou quando
vocês me abandonaram. Escutei, por graça de Cristo, toda a
solenidade celebrada esta noite na igreja de São Francisco".
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