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Era-lhe familiar o pranto pela paixão do Senhor: ou hauria das
sagradas chagas a amargura da mirra, ou sorvia os mais doces gozos.
Embriagavam-na veementemente as lágrimas de Cristo sofredor, e a
memória reproduzia freqüentemente aquele que o amor lhe gravara fundo
no coração.
Ensinava as noviças a chorar o crucificado dando junto o exemplo do
que dizia. Muitas vezes, ao exortá-las a isso em particular,
vinham-lhe as lágrimas antes de acabarem as palavras.
Entre as horas do dia, em geral era mais tocada de compunção em
Sexta e Noa, para imolar-se com o Senhor imolado. Uma vez,
rezava na cela na hora Nona, e o diabo lhe bateu no rosto, enchendo
um olho de sangue e a face de marcas.
Para nutrir a alma sem cessar nas delícias do Crucificado, ruminava
freqüentemente a oração das cinco chagas do Senhor. Aprendeu o
Ofício da Cruz composto por Francisco, o amante da cruz, e o
repetia com o mesmo afeto. Cingia embaixo da roupa, sobre a carne,
uma cordinha com treze nós, lembrança secreta das feridas do
Senhor.
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