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Por meio de devotos pregadores, cuidava de alimentar as filhas com a
palavra de Deus e não ficava com a parte pior. Quando ouvia a santa
pregação, ficava tão inundada de gozo e gostava tanto de recordar o
seu Jesus que, uma vez, durante a pregação de Frei Filipe de
Atri apareceu um menino muito bonito para a virgem Clara e a consolou
durante grande parte do sermão com as suas graças. Diante dessa
aparição, a Irmã que mereceu ser testemunha do que a madre viu
sentiu-se inundada por uma suavidade inefável.
Não tinha formação literária mas gostava de ouvir os sermões dos
letrados, sabendo que na casca das palavras ocultava-se o miolo que
tinha a sutileza de alcançar e o gosto de saborear. De qualquer
sermão, conseguia tirar proveito para a alma, pois sabia que não
vale menos poder recolher de vez em quando uma flor de um áspero
espinheiro que comer o fruto de uma árvore de qualidade.
Uma vez, o papa Gregório proibiu qualquer frade de ir sem sua
licença aos mosteiros das senhoras. A piedosa madre, doendo-se
porque ia ser mais raro para as Irmãs o manjar da doutrina sagrada,
gemeu: "Tire-nos também os outros frades, já que nos privou dos
que davam o alimento de vida". E devolveu ao ministro na mesma hora
todos os irmãos, pois não queria esmoleres para buscar o pão do
corpo, se já não tinha esmoleres para o pão do espírito. Quando
soube disso, o papa Gregório deixou imediatamente a proibição nas
mãos do ministro geral.
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