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A divina providência já acelerava o cumprimento de seu plano para
Clara: Cristo tinha pressa de sublimar no palácio do reino superno a
pobre peregrina. Ela já desejava e suspirava de todo coração por
livrar-se do corpo mortal (cfr. Rm 7,24) para ver reinando nas
etéreas mansões o Cristo pobre que ela, pobrezinha, seguira na
terra de todo coração. Juntou-se nova fraqueza a seus membros
sagrados, gastos pela velha doença, indicando sua próxima chamada
para o Senhor e preparando-lhe o caminho da salvação eterna. O
senhor Inocêncio IV, de santa memória, foi logo visitar a serva
de Cristo com os cardeais e não teve dúvida de honrar com a presença
papal a morte daquela, cuja vida provara estar acima das mulheres de
nosso tempo. Entrou no mosteiro, foi ao leito, chegou a mão à boca
da doente para que a beijasse. Ela a tomou agradecida e pediu com
maior reverência para beijar o pé do Apostólico. Cortês, o
senhor subiu reverentemente a um banquinho de madeira para ajeitar o pé
que ela, reverentemente inclinada, cobriu de beijos por cima e por
baixo.
Depois, pediu com rosto angelical ao Sumo Pontífice a remissão de
todos os pecados. Ele exclamou: "Oxalá precisasse eu de tão pouco
perdão!" E lhe deu plena absolvição e a graça de uma ampla bênção.
Quando todos saíram, como tinha recebido nesse dia a hóstia sagrada
das mãos do ministro provincial, de olhos levantados para o céu e de
mãos juntas para o Senhor, disse às Irmãs, entre lágrimas:
"Filhinhas minhas, louvem o Senhor, porque hoje Cristo dignou-se
fazer-me tão grande benefício que céu e terra não bastariam para
pagar. Hoje, prosseguiu, recebi o Altíssimo e mereci ver o seu
Vigário".
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