FAMA DE SUAS VIRTUDES DIFUNDIDA POR TODA PARTE

Pouco depois, já se espalhava a fama de santidade da virgem Clara pelas regiões vizinhas, e ao odor de seus perfumes correram (cfr. Ct 1,3) mulheres de toda parte. A seu exemplo, aprestaram-se as virgens a guardar para Cristo o que eram. Casadas, trataram de viver mais castamente. Nobres e ilustres, abandonando vastos palácios, construíram mosteiros apertados e tiveram por grande honra viver, pelo amor de Cristo, em cinza e cilício (cfr. Mt 11,21).

Até o entusiasmo dos rapazes foi animado para esses certames de pureza e instigado a desprezar os enganos da carne pelo valoroso exemplo do sexo mais fraco. Muitos, afinal, unidos pelo matrimônio, ligaram-se de comum acordo pela lei da continência, e foram os homens para as Ordens e as mulheres para os mosteiros. A mãe convidava a filha para Cristo, a filha a mãe; a irmã atraía as irmãs e a tia as sobrinhas. Todas com fervorosa emulação desejavam servir a Cristo. Todas queriam uma parte nessa vida angélica que Clara fez brilhar.

Numerosas virgens, movidas pela fama de Clara, já procuravam viver regularmente na casa paterna, mesmo sem regra, enquanto não podiam abraçar a vida do claustro. Eram tais esses frutos de salvação dados à luz pela virgem Clara com seus exemplos, que nela parecia cumprir-se o dito profético: A abandonada tem mais filhos que a casada (cfr. Is 54,1).