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Ela, pedra primeira e nobre fundamento de sua Ordem, tratou de
levantar desde o começo o edifício de todas as virtudes sobre a base
da santa humildade. De fato, prometeu santa obediência ao
bem-aventurado Francisco e não se desviou em nada do prometido.
Três anos depois da conversão, recusando o nome e o cargo de
abadessa, preferiu humildemente submeter-se a presidir, servindo
entre as servas de Cristo e não sendo servida. Por fim, obrigada
por São Francisco, assumiu o governo das senhoras. Daí brotou em
seu coração temor e não enchimento, crescendo no serviço e não na
independência. Quanto mais elevada se viu por esse exterior de
superioridade, mais se fez vil aos próprios olhos, disposta a
servir, desprezível na aparência. Não recusava nenhum trabalho
servil. Costumava derramar água nas mãos das Irmãs,
assistindo-as enquanto sentadas e servindo-lhes a comida.
Custava-lhe dar uma ordem, mas estava pronta a fazer por si.
Preferia fazer ela mesma a mandar as Irmãs. Lavava pessoalmente as
cadeiras das doentes e as enxugava com seu espírito nobre, sem fugir
à sujeira nem ter medo do mau cheiro. Com freqüência lavava e
beijava os pés das serviçais quando voltavam de fora. Uma vez,
estava lavando os pés de uma delas e, quando foi beijá-los, a
Irmã não suportou tanta humildade, puxou o pé de repente e bateu
com ele no rosto de sua senhora. Esta voltou a tomar o pé da
serviçal com ternura e lhe deu um beijo apertado sob a planta.
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