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3. Servo e amigo do Altíssimo, Francisco recebeu esse nome por
providência divina, para que, por sua singular originalidade, mais
rapidamente se difundisse por todo o mundo o conhecimento de sua
missão. Ao renascer da água e do Espírito Santo, deixando de ser
filho da ira para ser filho da graça, recebeu de sua mãe o nome de
João.
Essa mulher, modelo de retidão, era de uma virtude notável, e teve
o privilégio de se parecer com Santa Isabel, tanto pelo nome que deu
ao filho como pelo espírito profético. Pois, quando os vizinhos se
admiravam da grandeza de alma e da integridade de Francisco, dizia,
como que inspirada: "Quem vocês pensam que vai ser este meu filho?
Ainda vão ver que, pelos seus merecimentos, vai ser um verdadeiro
filho de Deus".
De fato, era essa a opinião de várias pessoas quando, já mais
grandinho, Francisco conquistou a simpatia de todos por suas boas
qualidades. Evitava tudo que pudesse ser ofensivo e era um adolescente
tão educado que não parecia filho de seus pais mas de gente mais
nobre. O nome de João cabia bem à missão que recebeu, mas o de
Francisco coube melhor à difusão de sua fama que chegou rapidamente a
toda parte, quando ele se converteu totalmente a Deus.
Para ele a festa mais importante entre as de todos os santos era a de
São João Batista, cujo nome insigne o havia marcado com uma força
mística. Assim como entre os nascidos de mulher não apareceu nenhum
maior do que João, entre os fundadores de Ordens não houve nenhum
mais perfeito do que Francisco. Esta observação é digna de nota.
4. João profetizou fechado no segredo do seio materno. Francisco
predisse o futuro no cárcere do mundo, quando ainda desconhecia os
planos de Deus. De fato, numa ocasião em que os cidadãos de
Perusa e os de Assis se viram envolvidos em não pequena desgraça por
causa da guerra, Francisco foi preso com muitos outros e sofreu com
eles as penúrias do cárcere. Os companheiros deixavam-se abater
pela tristeza, lamentando-se do cativeiro, mas Francisco exultava no
Senhor, ria-se e fazia pouco da cadeia. Ofendidos, os outros
increparam esse louco e demente que se alegrava na prisão. Francisco
respondeu profeticamente: "Por que vocês pensam que eu estou
contente? Estou pensando em outra coisa: ainda vou ser venerado como
santo por todo mundo". E, de fato, cumpriu-se o que ele disse.
Entre os prisioneiros havia um soldado soberbo e insuportável, que
todos os outros resolveram ignorar. Mas a paciência de Francisco foi
firme: tolerava o insuportável e conseguiu fazer com que todos
voltassem às pazes com ele. Aberto a todas as graças, era um vaso
escolhido de virtudes, já a transbordar de carismas por todos os
lados.
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