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9. Ainda se vestia como um leigo mas já tinha espírito religioso e
começou a preferir os lugares solitários, onde era freqüentemente
visitado por inspirações do Espírito Santo. Sua fundamental
doçura o atraíra e arrebatara, tão transbordante desde o início,
que nunca mais o abandonou durante toda a vida.
Mas quando se retirava para lugares escondidos por serem melhores para
a oração, o demônio tentava perturbá-lo com diabólica malvadeza.
Despertou-lhe a lembrança de uma mulher monstruosamente corcunda que
havia em sua cidade. Dizia que o tornaria igual a ela se não
desistisse de seus propósitos.
Confortado pelo Senhor, teve a alegria de uma resposta de salvação
e de graça: "Francisco, disse-lhe Deus em espírito, se queres o
meu conhececimento, tens que trocar as coisas vãs e carnais pelas
espirituais, tens que preferir as coisas amargas às doces, tens que
desprezar a ti mesmo. Haverá uma transformação e tudo isso vai te
parecer delicioso". Sentiu-se imediatamente obrigado a obedecer ao
que Deus mandava e enfrentou a experiência.
Ele, que tinha natural aversão pelos leprosos, julgando-os a
monstruosidade mais infeliz do mundo, encontrou-se um dia com um,
quando andava a cavalo por perto de Assis. Ficou muito aborrecido e
enjoado mas, para não quebrar o propósito que fizera, apeou e foi
beijá-lo. O leproso estendeu-lhe a mão para receber alguma coisa e
recebeu de volta o dinheiro e um beijo. Francisco tornou a montar e
olhou para todos os lados mas, apesar de estar em campo aberto,e não
viu mais o leproso.
Cheio de admiração e de alegria, poucos dias depois tratou de
repetir a boa obra. Dirigiu-se para onde moravam os leprosos, deu
dinheiro a cada um deles e beijou-lhes a mão e a boca. Assim
substituiu o amargo pelo doce e se dispôs corajosamente para o que
ainda estava por vir.
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