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65. Verdadeiramente apaixonado por Deus, desprezava profundamente
tudo que era do mundo mas, acima de tudo, detestava o dinheiro. Fez
pouco dele desde o início de sua conversão, e aos seus seguidores
sempre disse que deviam fugir do dinheiro como do próprio demônio.
Costumava repetir que deviam dar o mesmo valor ao esterco e ao
dinheiro.
Certo dia, entrou um leigo para rezar na igreja de Santa Maria da
Porciúncula, e pôs dinheiro de esmola junto da cruz. Quando ele
foi embora, um frade pegou o dinheiro com simplicidade e o jogou numa
janela. O santo ficou sabendo que o frade fizera isso e ele,
vendo-se descoberto, correu pedir perdão e se prostrou no chão
pedindo penitência. O santo o repreendeu e lhe disse coisas duras por
ter tocado o dinheiro. Depois mandou que o pegasse na janela com a
boca e que assim o levasse para fora do terreno e colocasse em cima de
esterco de asnos. O frade obedeceu de bom grado e os presentes ficaram
cheios de temor. Tiveram ainda maior aversão pelo dinheiro que assim
tinha sido comparado ao esterco e se encorajavam a desprezá-lo cada
dia com novos exemplos.
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