CAPÍTULO 36. Castigo de um frade que apanhou uma moeda

66. Dois frades iam a caminho de um hospital de leprosos. No caminho, encontraram uma moeda, pararam e ficaram discutindo sobre o que deviam fazer com aquele esterco. Um deles, rindo-se dos escrúpulos do confrade, tentou pegar o dinheiro para levá-lo aos enfermeiros dos leprosos. O companheiro disse que não deveria fazer isso, enganado por uma falsa piedade e desprezando temerariamente o preceito da Regra, que dizia muito claramente que dinheiro achado deve ser pisado como pó. Mas o outro não quis ouvir, porque sempre tinha sido de cabeça dura. Desprezou a Regra, abaixou-se e apanhou a moeda. Mas não escapou ao julgamento divino. Perdeu a fala na hora, rangia os dentes e não podia se comunicar.

Dessa maneira, o castigo fez bem para o louco, e a punição ensinou o soberbo a obedecer às leis do pai. Finalmente, jogou fora aquele fedor, e seus lábios lavados na água da penitência prorromperam em louvores. É velho o ditado: "Corrige o néscio e terás um amigo".