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68. Passando o homem de Deus com um companheiro pela Apúlia,
perto de Bari, encontrou no caminho uma bolsa grande, dessas que
chamam de alforje de negociante, cheia de moedas. O companheiro
chamou a atenção do santo e insistiu com ele para recolher a bolsa e
dar o dinheiro aos pobres. Falou em piedade para com os necessitados e
fez o elogio das obras de misericórdia que podiam ser feitas com aquele
dinheiro.
O santo se recusou absolutamente e disse que aquilo era manha do
diabo. Disse: "Filho, não é lícito pegar o que é dos outros.
Dar o que não é nosso é pecado e não merecimento".
Afastaram-se, apressando-se para terminar a viagem. Mas o frade
não sossegou, iludido por sua falsa piedade. Continuou a sugerir a
obra má.
Então o santo concordou em voltar, não para cumprir a vontade do
frade, mas para esclarecer àquele insensato o mistério divino.
Chamou um rapaz que estava sentado em cima de um poço à beira da
estrada, para dar testemunho da Trindade "na boca de duas ou três
testemunhas". Quando os três chegaram onde estava a bolsa,
viram-na gorda de dinheiro.
Mas o santo não deixou nenhum deles se aproximar, querendo demonstrar
com a força da oração a ilusão diabólica. Afastou-se à
diståncia de uma pedrada e se pôs a rezar. Quando voltou, mandou o
frade pegar a bolsa que, por efeito de sua oração, continha uma
cobra no lugar do dinheiro.
O frade começou a tremer de medo, tomado de estranho pressentimento.
No fim, por respeito à santa obediência deixou de duvidar e pegou a
bolsa. Não era pequena a cobra que saiu lá de dentro, convencendo o
frade da falsidade do demônio.
Disse o santo: "Irmão, para os servos de Deus, o dinheiro é
apenas o diabo e uma cobra venenosa".
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