CAPÍTULO 38. O dinheiro transformado numa cobra

68. Passando o homem de Deus com um companheiro pela Apúlia, perto de Bari, encontrou no caminho uma bolsa grande, dessas que chamam de alforje de negociante, cheia de moedas. O companheiro chamou a atenção do santo e insistiu com ele para recolher a bolsa e dar o dinheiro aos pobres. Falou em piedade para com os necessitados e fez o elogio das obras de misericórdia que podiam ser feitas com aquele dinheiro.

O santo se recusou absolutamente e disse que aquilo era manha do diabo. Disse: "Filho, não é lícito pegar o que é dos outros. Dar o que não é nosso é pecado e não merecimento".

Afastaram-se, apressando-se para terminar a viagem. Mas o frade não sossegou, iludido por sua falsa piedade. Continuou a sugerir a obra má.

Então o santo concordou em voltar, não para cumprir a vontade do frade, mas para esclarecer àquele insensato o mistério divino. Chamou um rapaz que estava sentado em cima de um poço à beira da estrada, para dar testemunho da Trindade "na boca de duas ou três testemunhas". Quando os três chegaram onde estava a bolsa, viram-na gorda de dinheiro.

Mas o santo não deixou nenhum deles se aproximar, querendo demonstrar com a força da oração a ilusão diabólica. Afastou-se à diståncia de uma pedrada e se pôs a rezar. Quando voltou, mandou o frade pegar a bolsa que, por efeito de sua oração, continha uma cobra no lugar do dinheiro.

O frade começou a tremer de medo, tomado de estranho pressentimento. No fim, por respeito à santa obediência deixou de duvidar e pegou a bolsa. Não era pequena a cobra que saiu lá de dentro, convencendo o frade da falsidade do demônio.

Disse o santo: "Irmão, para os servos de Deus, o dinheiro é apenas o diabo e uma cobra venenosa".