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78. Para ele, esmolar visava mais o proveito das almas que o
sustento do corpo, e era exemplo para todos quando dava e quando
recebia.
Tendo ido a Alexandria da Lombardia para pregar, foi hospedado
devotamente por um homem que temia a Deus e tinha muito boa fama.
Pedindo-lhe este que, de acordo com o Evangelho, comesse de tudo
que lhe fosse servido, concordou bondosamente, vencido pela devoção
do hospedeiro.
Este cuidou logo de preparar muito bem um franguinho gordo para o homem
de Deus. Estavam sentados á mesa o patriarca dos pobres e a alegre
família, quando apareceu à porta um filho de Belial, pobre de toda
graça mas feito mendigo por oportunismo.
Usou astuciosamente o nome do Senhor para pedir esmolas e com voz
chorosa pediu que o ajudassem por amor de Deus. Ouvindo o nome que
para ele era mais doce que o mel e que é abençoado mais que qualquer
outro nome, o santo pegou um pedaço de frango com toda a boa vontade,
colocou-o num pão e o deu ao pedinte. Ora, o infeliz guardou o que
recebera para poder falar mal do santo.
79. No dia seguinte, o santo estava pregando a palavra de Deus ao
povo reunido. Rugiu de repente o malvado, querendo mostrar o pedaço
de frango a todo o povo. "Vede quem é esse Francisco que está
pregando, a quem honrais como um santo. Vede a carne que me deu ontem
à tarde quando estava jantando".
Todo mundo o repreendeu, dizendo que parecia um possesso do demônio.
Porque, na verdade, todos viam que era peixe aquilo que o homem
afirmava que era frango. Até ele, coitado, espantado com o
milagre, foi obrigado a confessar o que todos estavam vendo.
Envergonhou-se e desfez com a penitência o crime descoberto. Pediu
perdão ao santo diante de todos, revelando a má intenção que tinha
tido. E a carne voltou a ser o que realmente era, depois que o
pecador voltou ao juízo.
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