OS QUE RENUNCIAM AO MUNDO


CAPÍTULO 49. O santo reprova um candidato que distribui suas coisas entre os parentes e não entre os pobres

80. Aos que vinham para a Ordem, ensinava o santo que deviam entregar ao mundo a carta de repúdio, pondo primeiro suas coisas para fora para depois poderem oferecer a si mesmos, por dentro, ao Senhor. Só admitia na Ordem os que já se tivessem despojado de toda propriedade, sem ter guardado nada para si, tanto para observar o Evangelho como para evitar que os bens retidos fossem motivo de escåndalo.

81. Uma vez, depois de uma pregação em Marca de Ancona, um homem foi ter com o santo pedindo humildemente para entrar na Ordem. O santo disse: "Se te queres juntar aos pobres de Deus, distribui primeiro o que é teu aos pobres do mundo".

Ouvindo isso, ele foi, mas, levado pelo amor carnal, distribuiu o que tinha entre os seus, sem dar nada para os pobres. Quando voltou e contou ao santo sua generosidade, respondeu-lhe o pai: "Vai embora, irmão mosca, porque ainda não deixaste tua casa e teus parentes. Deste o que era teu aos parentes e defraudaste os pobres, por isso não és digno dos pobres santos. Começaste pela carne, puseste um fundamento de ruína para o teu edifício espiritual".

Voltou para casa aquele "homem animal", pediu de volta o que era seu e não tinha querido deixar para os pobres e desanimou logo de seu propósito de virtude. São muitos, hoje, os que se enganam fazendo erradamente a distribuição de seus bens, pois querem entrar numa vida santa e lhe dão um começo material. Ninguém se consagra a Deus para enriquecer os parentes, mas para remir os pecados com o preço da misericórdia e para adquirir a vida pelo fruto das boas obras.

Ensinou muitas vezes que, se os frades passassem necessidade, deveriam recorrer a outras pessoas mas não aos que estavam entrando na Ordem, primeiro para dar exemplo e depois para evitar toda aparência de aproveitamento desonesto.