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80. Aos que vinham para a Ordem, ensinava o santo que deviam
entregar ao mundo a carta de repúdio, pondo primeiro suas coisas para
fora para depois poderem oferecer a si mesmos, por dentro, ao
Senhor. Só admitia na Ordem os que já se tivessem despojado de
toda propriedade, sem ter guardado nada para si, tanto para observar o
Evangelho como para evitar que os bens retidos fossem motivo de
escåndalo.
81. Uma vez, depois de uma pregação em Marca de Ancona, um
homem foi ter com o santo pedindo humildemente para entrar na Ordem.
O santo disse: "Se te queres juntar aos pobres de Deus, distribui
primeiro o que é teu aos pobres do mundo".
Ouvindo isso, ele foi, mas, levado pelo amor carnal, distribuiu o
que tinha entre os seus, sem dar nada para os pobres. Quando voltou e
contou ao santo sua generosidade, respondeu-lhe o pai: "Vai
embora, irmão mosca, porque ainda não deixaste tua casa e teus
parentes. Deste o que era teu aos parentes e defraudaste os pobres,
por isso não és digno dos pobres santos. Começaste pela carne,
puseste um fundamento de ruína para o teu edifício espiritual".
Voltou para casa aquele "homem animal", pediu de volta o que era seu
e não tinha querido deixar para os pobres e desanimou logo de seu
propósito de virtude. São muitos, hoje, os que se enganam fazendo
erradamente a distribuição de seus bens, pois querem entrar numa vida
santa e lhe dão um começo material. Ninguém se consagra a Deus
para enriquecer os parentes, mas para remir os pecados com o preço da
misericórdia e para adquirir a vida pelo fruto das boas obras.
Ensinou muitas vezes que, se os frades passassem necessidade,
deveriam recorrer a outras pessoas mas não aos que estavam entrando na
Ordem, primeiro para dar exemplo e depois para evitar toda aparência
de aproveitamento desonesto.
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