COMPAIXÃO DE SÃO FRANCISCO PARA COM OS POBRES


CAPÍTULO 51. Sua compaixão dos pobres. Inveja os que são mais pobres

83. Quem poderá contar toda a compaixão que esse homem tinha para com os pobres? De fato, era de uma clemência nata, redobrada pela piedade infusa. Por isso, Francisco se derretia todo pelos pobres e aos que não podia estender a mão nunca deixava de dar seu afeto.

Qualquer necessidade ou penúria que visse em alguém faziam- no pensar na mesma hora em Jesus Cristo. Via o Filho da pobre Senhora em todos os pobres, pois o levava despojado em seu coração como ela o tinha carregado em seus braços.

Apesar de se ter livrado de toda inveja, não conseguiu libertar-se da cobiça da pobreza. Quando via alguém mais pobre do que ele, sentia-se logo invejoso e, disputando em pobreza, ficava com medo de ser vencido pelo outro.

84. Certo dia, em que o homem de Deus andava pregando, encontrou um pobrezinho na rua. Vendo-o sem roupa, ficou compungido e disse a seu companheiro: "A miséria desse homem é uma vergonha para nós, e uma censura à nossa pobreza".

O companheiro respondeu: "Por que, irmão?" E o santo, lamentando-se: "Escolhi a pobreza como minha senhora e toda minha riqueza, e ela está brilhando muito mais nesse homem. Ou não sabes que por todo o mundo correu nossa fama de pobres por amor de Cristo? Pois esse pobre está provando que isso não é verdade".

Invejável inveja! E' uma emulação que deve ser imitada por seus filhos! Pois não se aflige com os bens alheios, não teme a luz do sol, não se opõe à piedade, nem se remói de amarguras. Pensas que a pobreza evangélica não tem nada para ser invejado? Tem o próprio Cristo e, nele, tudo em todas as coisas em. Por que cobiças rendimentos, ó clérigo de nossos dias? Amanhã, quando só tiveres nas mãos os lucros dos tormentos, ficarás sabendo que rico de verdade foi São Francisco.