CAPÍTULO 52. Correção a um frade que estava falando mal de um pobre

85. Num outro dia de pregação, chegou ao lugar um pobrezinho doente. Compadecido por seu duplo sofrimento, a miséria e a dor, começou a conversar com um companheiro sobre a pobreza.

E quando sua compaixão já se tinha transformado em ternura, disse-lhe o companheiro: "Irmão, é verdade que esse aí é pobre, mas não deve haver outro mais rico em desejo, em toda esta região".

São Francisco repreendeu-o na hora e, quando confessou sua culpa, disse-lhe: "Tira já o teu hábito, ajoelha-te aos pés do pobre e confessa a tua culpa! Não peças apenas o perdão, roga também que reze por ti!" O irmão obedeceu, fez o que tinha sido mandado e voltou. Disse-lhe o santo: "Quando vês um pobre, meu irmão, tens à frente um espelho do Senhor e de sua pobre Mãe. E da mesma maneira, nos doentes deves ver as enfermidades que ele assumiu por nossa causa!"

Francisco tinha sempre o "ramalhete de mirra" em seu coração. Estava sempre olhando para o rosto do seu Cristo, sempre agarrado ao homem das dores, que conhece todos os sofrimentos.