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92. No tempo em que São Francisco esteve no palácio do bispo de
Rieti, para cuidar de sua doença dos olhos, foi consultar o médico
uma pobrezinha de Maquilone, que tinha a mesma doença que o santo.
Conversando familiarmente com o guardião, o santo começou a
insinuar: "Irmão guardião, precisamos devolver o que não é
nosso".
- "Se estivermos com alguma coisa, vamos devolver", respondeu o
guardião.
- "Vamos devolver esta capa, que recebemos emprestada desta
pobrezinha, porque ela não tem nada em sua bolsa para as despesas".
- "Mas essa capa é minha, disse o guardião, e não foi emprestada
por ninguém. Usa-a enquanto te aprouver, mas tens que devolvê-la
a mim quando não a quiseres mais". (Na realidade, tinha-a
comprado o guardião um pouco antes, para a necessidade de São
Francisco).
- "Irmão guardião, insistiu o santo, sempre foste cortês
comigo. Peço-te que mostres tua cortesia".
- "Pai, faz como quiseres, tudo que o Espírito te sugerir!"
Então mandou chamar um secular muito devoto e lhe disse: "Toma esta
capa e doze pães, e vai dizer àquela pobrezinha: O pobre a quem
emprestaste a capa manda agradecer o empréstimo. Agora fica com o que
é teu". Ele foi e fez como tinha sido mandado. Mas a mulher,
pensando que estava sendo enganada, disse enrubescida: "Deixa-me em
paz com tua capa. Não sei o que estás falando". Mas o homem
insistiu e lhe colocou tudo nas mãos. Vendo que não havia engano e
com medo de perder lucro tão fácil, a mulher se levantou de noite e,
esquecendo o tratamento dos olhos, foi embora com a capa.
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