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99. Quando voltava de suas orações particulares, em que quase se
transformava num outro homem, esforçava-se por se assemelhar aos
demais, para que a veneração dos outros, se o vissem abrasado de
fervor, não o levasse a perder o que tinha lucrado.
Muitas vezes dizia a seus mais íntimos: "Quando um servo de Deus
é visitado na oração por alguma nova consolação de Deus, deve
levantar os olhos para o céu, antes de concluir, e dizer ao Senhor
de mãos postas: 'Senhor, a mim que sou pecador e indigno mandaste
do céu esta consolação e esta doçura. Eu a devolvo, para que a
guardes para mim, porque sou um ladrão de teu tesouro'. E ainda:
'Senhor, tira-me o teu dom neste mundo e guarda-o para o
outro'".
- "Assim é que se deve fazer", dizia, "mostrando-se aos
outros, quando sair da oração, tão pobrezinho e pecador como se
não tivesse conseguido nenhuma graça nova". Pois explicava:
"Pode acontecer que, por uma pequena vantagem, a gente perca um dom
de valor incalculável, e leve com facilidade aquele que o deu, a não
dar mais".
Tinha o costume de se levantar para rezar tão disfarçada e
quietamente, que nenhum dos companheiros percebia que se tinha
levantado ou que estava rezando. Mas à noite, quando ia dormir,
fazia muito ruído para todo mundo saber que tinha ido deitar.
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