CAPÍTULO 65. Como se comporta depois da oração

99. Quando voltava de suas orações particulares, em que quase se transformava num outro homem, esforçava-se por se assemelhar aos demais, para que a veneração dos outros, se o vissem abrasado de fervor, não o levasse a perder o que tinha lucrado.

Muitas vezes dizia a seus mais íntimos: "Quando um servo de Deus é visitado na oração por alguma nova consolação de Deus, deve levantar os olhos para o céu, antes de concluir, e dizer ao Senhor de mãos postas: 'Senhor, a mim que sou pecador e indigno mandaste do céu esta consolação e esta doçura. Eu a devolvo, para que a guardes para mim, porque sou um ladrão de teu tesouro'. E ainda: 'Senhor, tira-me o teu dom neste mundo e guarda-o para o outro'".

- "Assim é que se deve fazer", dizia, "mostrando-se aos outros, quando sair da oração, tão pobrezinho e pecador como se não tivesse conseguido nenhuma graça nova". Pois explicava: "Pode acontecer que, por uma pequena vantagem, a gente perca um dom de valor incalculável, e leve com facilidade aquele que o deu, a não dar mais".

Tinha o costume de se levantar para rezar tão disfarçada e quietamente, que nenhum dos companheiros percebia que se tinha levantado ou que estava rezando. Mas à noite, quando ia dormir, fazia muito ruído para todo mundo saber que tinha ido deitar.