CAPÍTULO 67. Um abade experimenta a força de sua oração

101. Noutra ocasião, o abade do mosteiro de São Justino, da diocese de Perúsia, encontrou-se com São Francisco no caminho. Apeou-se imediatamente e conversou um pouco com ele sobre a salvação de sua alma. Ao partir, pediu humildemente ao santo que rezasse por ele. São Francisco disse: "Vou rezar de boa vontade, meu senhor".

Pouco depois que o abade se afastou, disse o santo a seu companheiro: "Espera um pouco, meu irmão. Vou cumprir o que prometi". Sempre teve esse costume. Quando lhe pediam para rezar nunca deixava para depois, cumpria quanto antes o que tinha prometido.

Pela súplica que o santo dirigiu a Deus, o abade sentiu de repente um calor diferente e uma doçura que nunca tinha experimentado em seu espírito, tanto que ficou arrebatado e os outros viram que desmaiava. Não demorou muito e, voltando a si, reconheceu a força da oração de São Francisco. Por isso sempre teve o maior amor para com a Ordem e contou a muita gente esse fato, dizendo que tinha sido um milagre.

É assim que os servos de Deus devem prestar um ao outro os seus favores. É bom que entre eles haja essa comunhão de dar e receber. A amizade santa, também chamada de amizade espiritual, contenta-se com a oração e dá pouco valor aos favores terrenos. Acho que é próprio de uma amizade santa ajudar e ser ajudado na luta espiritual, recomendar e ser recomendado diante do tribunal de Cristo.

Como não deve ter subido alto a oração de quem foi capaz de elevar assim uma outra pessoa por seus merecimentos!