|
101. Noutra ocasião, o abade do mosteiro de São Justino, da
diocese de Perúsia, encontrou-se com São Francisco no caminho.
Apeou-se imediatamente e conversou um pouco com ele sobre a salvação
de sua alma. Ao partir, pediu humildemente ao santo que rezasse por
ele. São Francisco disse: "Vou rezar de boa vontade, meu
senhor".
Pouco depois que o abade se afastou, disse o santo a seu companheiro:
"Espera um pouco, meu irmão. Vou cumprir o que prometi". Sempre
teve esse costume. Quando lhe pediam para rezar nunca deixava para
depois, cumpria quanto antes o que tinha prometido.
Pela súplica que o santo dirigiu a Deus, o abade sentiu de repente
um calor diferente e uma doçura que nunca tinha experimentado em seu
espírito, tanto que ficou arrebatado e os outros viram que desmaiava.
Não demorou muito e, voltando a si, reconheceu a força da oração
de São Francisco. Por isso sempre teve o maior amor para com a
Ordem e contou a muita gente esse fato, dizendo que tinha sido um
milagre.
É assim que os servos de Deus devem prestar um ao outro os seus
favores. É bom que entre eles haja essa comunhão de dar e receber.
A amizade santa, também chamada de amizade espiritual, contenta-se
com a oração e dá pouco valor aos favores terrenos. Acho que é
próprio de uma amizade santa ajudar e ser ajudado na luta espiritual,
recomendar e ser recomendado diante do tribunal de Cristo.
Como não deve ter subido alto a oração de quem foi capaz de elevar
assim uma outra pessoa por seus merecimentos!
|
|